Deve ser mesmo giro ser político… Divertido, viciante, impossível de resistir e, temo, um pouco estupidificante, pedindo desde já desculpa a todos os políticos não estúpidos a quem esta afirmação generalista atinge em igual medida. Só consigo encontrar esta explicação para, no actual enquadramento, andarem os responsáveis pelos destinos desta terra, pessoas a quem devem ser reconhecidas capacidades acima da média, a discutir nomes para listas de candidatos a eleições internas. No entretanto, lá vamos nós seguindo, chorando neste vale de lágrimas. Falhando tudo o que é meta, compromisso e objectivo acordado com aqueles que nos sustentam, dando razão a todos quantos traçaram o pior dos cenários. Os que entendem que a Leio de Meios é que é o fulcro da nossa acção política e a verdadeira ferramenta rumo ao crescimento muito legitimamente não concordarão com esta visão. Eu, que há muito afirmo que o crescimento baseado em obras públicas só pode levar-nos à repetição dos resultados a que chegámos com a agravante de, pelo caminho, irmos destruindo gradualmente o nosso produto turístico tornando-o igual a tantos outros, só posso ir ficando cada vez mais preocupado. A última, sintomática, é esta história dos hipotéticos estudos escondidos na obra do aterro. Com a ironia que me resta nos parcos caracteres que tenho para esbanjar, espero sinceramente que eles existam, porque validariam um princípio que deve estar subjacente a todas as obras públicas: - o estudo de viabilidade económica, que não conhecemos. Percebo que os técnicos discutam as larguras, profundidades, estreitamentos e enrocamentos. Não entendo é que as obras que estão a ser executadas sejam de preparação para um futuro cais de acostagem de navios que ninguém ainda tenha demonstrado que precisamos, qual o benefício espectável que a sua construção nos vai trazer e, em contraponto, que pressão para a cidade criará mais não sei quantos turistas a ver montras forradas a papel pardo ou com tradução em quatro línguas de "liquidação total"… Ter quantificado os prejuízos que dois anos de obras no Funchal vão necessariamente trazer também seria um bom estudo mas isso talvez já seja pedir demais.

André Barreto, Economista