Todas as calamidades que colocam a Madeira nas primeiras páginas do mundo das notícias têm, segundo os desprevenidos governantes regionais, um único e importante culpado: o tempo. E nesta última praga, talvez surto, quem sabe epidemia, quando toda a gente suspeitava que a culpa fosse do mosquito, como noutros casos já foi do escaravelho, dos ratos, das aves, das baratas, das pulgas ou das águas vivas, eis que as sempre distraídas autoridades insulares, apesar de avisadas para os perigos do 'Aedes' na nossa frágil saúde pública, apontaram o dedo às sobejamente conhecidas e estudadas alterações climáticas, como se o aquecimento global fosse notícia de última hora. O tempo é a desculpa fácil para os negligentes, nesta como em outras tantas desgraças, no 20 de Fevereiro de 2010, nos incêndios frequentes ou nas mortes de três candidatos a guarda florestais em 1997. Raios partam esse tempo que dá jeito aos incapazes e é argumento recorrente da governação, qual tapete que esconde o lixo produzido! Mas será o tempo culpado pelo desleixo de quem preferiu deleitar-se com estudos em curso de conclusão óbvia, embora ignorando outros já feitos, do que insistir no combate efectivo e persistente ao mosquito transmissor da dengue? Será o tempo responsável pela alucinação governativa que distribui por turistas e operadores estrangeiros desdobráveis informativos com medidas de prevenção, mas carregados de texto escrito unicamente em português? Será o tempo factor impeditivo para que se pensem em soluções de salvaguarda do destino e para que haja capacidade reactiva na aldeia global, de modo a dizer aos mercados emissores de turistas que, por exemplo, não há mosquitos na costa norte da ilha? Será o tempo culpado pela súbita tentativa de esconder números de casos de dengue na Região, contrariando promessas de véspera de tudo divulgar? Será o tempo assim tão mau conselheiro que impeça quem devia estar sempre lúcido de perceber que há apelos ridículos, como este, "evitar sair para o exterior nas horas em que os mosquitos estão mais activos, que são o amanhecer e o anoitecer"? Se o tempo tudo determina, então é preferível deixar que nos governe. Apesar de incerto é melhor confiar-lhe o futuro do que entregar o destino colectivo nas mãos da incompetência assumida, tão frágil que na ânsia de querer controlar um mundo que lhe escapa e de decretar um arrefecimento urgente, delega quase todas as responsabilidades na população indefesa, transmitindo-lhe uma preocupante insegurança. Quem tudo vigia para que nada se faça e nada de grave se saiba não merece bom tempo. Manuel Baeta, Presidente da AMRAM e da Calheta Farto do incumprimento do Governo, denunciou a causa da asfixia financeira das autarquias. Mesmo que tardio, o alerta é útil. Cristiano Ronaldo, Futebolista Regressou aos grandes momentos e deu cabo de outras tristezas. Marcar seis golos em dois jogos consecutivos só é fácil para quem sabe. Rui Silva, Fundador da ERGORAM Gere um negócio em favor da produtividade dos outros, porque focada na saúde dos recursos. Uma prática à qual fogem incumpridores crónicos. Carlos Gonçalves, Presidente da IHM A aquisição de 209 novas casas é uma dádiva para quem espera por lugar digno. Tanto melhor se deu a boa nova sem pensar nas 'directas'. Guilherme Silva, Deputado do PSD na AR É irónico ser o PSD-M a defender o Governo que devia censurar. O aplauso a Passos arrepiou quem vive na ilha do descontentamento.
Raios partam o tempo!
Será o tempo que nos governa? Se não é, parece. Mais valia que só dele dependessemos