Afinal o que podemos nós dizer aos jovens sobre a aflição de alguns adultos no que se refere ao consumo de substâncias psicoativas, comummente chamadas de "drogas". O discurso do que faz bem e do que faz mal já não faz sentido, até porque, muitos adultos, não são nada coerentes entre o que dizem e o que fazem, ou permitem que se faça. O uso e abuso do álcool, é o exemplo disso. As atuais "drogas legais" surgem como expoente máximo do que se tem vindo a construir nos últimos anos. Uma sociedade onde, muito poucos, se preocupam de facto com o coletivo. Os interesses individuais ultrapassam o respeito pelos outros e a corresponsabilidade social. Quem vende não está disposto a refletir sobre as consequências nefastas que o seu próspero negócio provoca nos jovens e mesmo nos adultos que utilizam os produtos que comercializam. Simplesmente querem ser originais na forma de enriquecer, mesmo que isso custe a vida e a saúde de outros. As consequências do consumo deste tipo de substâncias são gravíssimas, em todas as pessoas, com destaque para os jovens, que se encontram em período de crescimento e aquisição de competências fundamentais e essenciais para uma vida saudável. Mais do que isso, o uso destas substâncias leva à morte. Identificados os responsáveis de primeira linha, gente que nasceu e se formou na sociedade que ajudamos a construir, não podemos esquecer todos os outros, corresponsáveis, que dentro do sistema se encolhem, para que ninguém repare que estão por ali e que por cobardia e interesses globais, não fazem absolutamente nada. Devo ser muito limitada para não perceber como é possível, que no século XXI, se permita este tipo de crimes, intitulados de legais. Mas que sistema jurídico pode permitir que se vendam substâncias, para uso não humano, a pessoas, e que após factos irrefutáveis das consequências para a saúde e vida das pessoas, permite a continuidade da sua comercialização. Não é uma questão de falta de informação, nem de falta de competências intelectuais que impossibilitam o entendimento. Então só pode ser uma questão de opção irresponsável e criminosa. Por tudo isto, para além de não podermos desistir de fazer tudo o que nos é possível para terminar com este escandaloso cenário, temos que admitir aos jovens, que esperam de nós muito mais do que o que estamos a ser capazes de dar, que falhamos, e que temos vindo a falhar como sociedade capaz de se organizar e defender os mais novos, dos predadores sem escrúpulos. Desta forma resta-nos ser honestos e apresentar-lhes a realidade tal como ela existe, sem rodeios nem preconceitos. Existem, na nossa sociedade, pessoas envolvidas nos vários espaços sociais, sem princípios humanitários, completamente ausentes de corresponsabilidade social. A decisão dos nossos comportamentos tem que partir de nós, de dentro, do nosso núcleo psicoafectivo. Pais, educadores, e todos os grupos de proximidade, têm que sentir que se lhes exige esta responsabilidade. Ajudar a crescer com segurança e amor é um princípio básico e fundamental. Em casa, na escola, em todo o lado, os jovens têm que conhecer os limites e interiorizá-los com serenidade e firmeza. Após o básico e fundamental, vem a importância da informação, que se pretende clara e precisa para todos os envolvidos. A escola tem que sair do seu casulo e aproximar-se dos pais, e estes têm que sentir a escola como uma aliança de continuidade. Para que isto aconteça, é necessário que os pais sejam chamados à escola, não apenas quando as coisas correm mal, mas também quando correm bem. E bem não é excelência, porque o mau também não costuma ser o pior… Uma escola aberta e mais positiva, com a consciência de que a educação está, bem mais para além das matérias. E não vale a pena estarmos constantemente a culpar o sistema, porque o sistema somos nós que o criamos, ou será que não? Passivos ou ativos? Esta tem que ser a nossa decisão! Se quisermos ser ativos, vamos ajudar os jovens a desejar o mesmo para si, se optarmos pela passividade, vamos juntos assistir a muitas mais legalidades criminosas. A Prevenção tem que começar já! Dentro de cada um de nós.
Manuela Parente