As pessoas gostam do que conhecem, o risco de experimentar algo novo, de ouvir ou fazer algo de diferente consegue ser assustador para grande parte das pessoas. Na verdade, mesmo para eu dizer que não gosto de uma música tenho de a conhecer, senão não saberei do que estou a falar. No entanto temos o vício de negar algo à priori só porque sim, muitas vezes dizemos que não gostamos de determinada pessoa e na verdade nem a conhecemos. Este conhecimento é fundamental para falarmos seja do que for, de pessoas, de políticas, de costumes, de música… Esse conhecimento é imperativo para criar opinião, seja do que for. A música carece de interesse aos Horizontes, do corte dessas linhas ténues que dividem os estilos e que só servem para nos dividir. Pessoas que gostam e vivem a/da Música. Desprender essas amarras e navegar por esse mar alto que é tão grande quanto o Mundo é possibilitar a criação de um gosto, possibilitar um carácter e possibilitar a própria liberdade e criação. Conhecendo. O Fado que oiça musica Africana, o jazz que oiça o rock, o pop que oiça musica folclórica (…) e vai encontrar algumas diferenças mas muitas mais semelhanças. São maneiras diferentes de exprimir o mesmo, como tantas outras coisas. O importante é forçar um conhecimento, se não gostam que seja com conhecimento de causa. O conhecimento que pinga por todos os poros da nossa vida diária, nas oportunidades da tecnologia, nas estórias dos nossos avós e na nossa própria experiencia empírica, fará de nós seres melhores, maiores e mais amplos com maior oportunidade de criação e originalidade. A partir desse cocktail de culturas, podemos fazer algo de novo.

Vânia Fernandes, Cantora