Um dos traços piores da actual crise na Madeira e em Portugal - também com uma maioria 'laranja'… mas com traços de 'azul' - é a falta de perspectivas. A falta de um discurso sobre o futuro e de visão por parte dos governantes. Consequência: sentimento generalizado de falta de esperança e de descrença. Na Madeira, os políticos 'laranja' no governo da Região aparentam não ter ideias nem projecto de longo prazo. Não mostram o que acontecerá depois destes tempos terríveis de austeridade. Nem se mostram à altura dos tempos que aí vêm. Mesmo que, num quadro optimista, ventos favoráveis comecem a soprar... Faz lembrar a velha máxima atribuída a Séneca - há aproximadamente dois mil anos - que dizia: "se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável". Se é verdade que na frente económica externa, em particular europeia, não há boas novidades em perspectiva, porque permanecem os factores de perda de competividade, já na frente política e financeira há factores de bonança que nos poderão ajudar: desde a nova atitude do Banco Central Europeu com a sua actuação forte nos mercados da dívida, à estabilização relativa dos mercados financeiros, aos progressos na nova aliança Merkel / Hollande, passando pela decisão pró-europeia do Tribunal Constitucional alemão. Dois desejos da minha parte. Primeiro, que as eleições já este fim de semana na Venezuela possam inspirar os madeirenses e possam ser factor de esperança para o seu futuro. Que elas mostrem que é possível derrubar regimes com as características autocráticas do chavismo/jardinismo. Segundo, que as eleições de 2013 em Portugal (autárquicas) e na Alemanha (legislativas gerais) forneçam elementos de mudança e de esperança. Que destes novos ventos favoráveis renasça a esperança e a confiança na Madeira e em Portugal. E que quem esteja no comando da nau saiba para onde ir…

Maximiano Martins, Deputado do PS-M