Alguns PSD's nunca julgaram ser possível que eles próprios fossem chantageados e ameaçados como a mais reles Oposição Os casos sobrepõem-se uns aos outros, sobre os quais se vai conhecendo em surdina pormenores sórdidos. São ameaças ao posto de trabalho, ao da mulher ou do marido ou de outros familiares. São telefonemas, são recados, tudo ameaças explícitas para que não haja dúvidas sobre a mensagem a interiorizar. Com uma subtileza: o emprego, o cargo, a casa, o carro, tudo, tudo isso foi uma benesse, uma dádiva, um ‘prémio’ do grande chefe; nada resultou do mérito individual e profissional. Em 25 anos de jornalismo, integralmente exercidos durante esta era jardinista, testemunhei e registei inúmeros casos reais de chantagens, de desrespeito, de violação de direitos, de descarado abuso de poder, de enxovalho público e grosseiro. Os casos foram se amontoando com o passar dos anos, envolvendo sempre pessoas ligadas a partidos da Oposição ou tão-somente contra atitudes pontuais do Poder. Nalguns casos, poucos, também com pessoas que eram do círculo do Poder, mas que por qualquer razão passaram para o outro lado. Nos últimos tempos, desde que Miguel Albuquerque decidiu por à prova a democracia no interior do seu partido, tenho tido conhecimento de mais movimentações chantagistas – com a mesma falta de escrúpulos e o mesmo descaramento na utilização do Poder – só que agora contra militantes do PSD. Militantes que não ameaçaram mudar de partido, que continuam a apoiar o PSD e que olham para o partido como a única solução para a Madeira. Esta nova realidade é tão grave como qualquer dos outros exemplos mais longínquos – quando os detentores do Poder usaram esse privilégio para prejudicar pessoas, famílias, empresas, de outras cores políticas. Uma nova realidade que a mim, pessoalmente, desperta dois tipos de sensação: repugno reforçado pela contínua falta de respeito, quando eu julgava já ter visto tudo em matéria de soberba e arrogância; e um certo conforto, tenho de confessar, porque agora, pelo menos parte dos militantes do PSD estão absolutamente convencidos dos métodos ‘democráticos’ que torturaram várias pessoas, famílias e empresas. E como muitos desses casos foram relatados nas páginas do jornal onde trabalho, espero que muito boa gente reveja as depreciações erradas e manipuladas em que se deixaram enredar. À parte o desabafo do parágrafo anterior, o que eu desejaria mesmo é que os poderosos que aqui são acusados de forma directa viessem a público, com a ‘coragem’ e a arrogância habituais, desafiar quem se sinta lesado, quem tenha sido chantageado em nome de uma parte do partido. Até pode ser com o habitual comunicado corajoso, “incluso” posto a assinar por alguém do Secretariado. Tanto faz. Mas venha daí esse desafio! Haverá muito para contar.
Alguns PSD's nunca julgaram ser possível que eles próprios fossem chantageados e ameaçados como a mais reles Oposição
Os casos sobrepõem-se uns aos outros, sobre os quais se vai conhecendo em surdina pormenores sórdidos. São ameaças ao posto de trabalho, ao da mulher ou do marido ou de outros familiares. São telefonemas, são recados, tudo ameaças explícitas para que não haja dúvidas sobre a mensagem a interiorizar. Com uma subtileza: o emprego, o cargo, a casa, o carro, tudo, tudo isso foi uma benesse, uma dádiva, um ‘prémio’ do grande chefe; nada resultou do mérito individual e profissional. Em 25 anos de jornalismo, integralmente exercidos durante esta era jardinista, testemunhei e registei inúmeros casos reais de chantagens, de desrespeito, de violação de direitos, de descarado abuso de poder, de enxovalho público e grosseiro. Os casos foram se amontoando com o passar dos anos, envolvendo sempre pessoas ligadas a partidos da Oposição ou tão-somente contra atitudes pontuais do Poder. Nalguns casos, poucos, também com pessoas que eram do círculo do Poder, mas que por qualquer razão passaram para o outro lado. Nos últimos tempos, desde que Miguel Albuquerque decidiu por à prova a democracia no interior do seu partido, tenho tido conhecimento de mais movimentações chantagistas – com a mesma falta de escrúpulos e o mesmo descaramento na utilização do Poder – só que agora contra militantes do PSD. Militantes que não ameaçaram mudar de partido, que continuam a apoiar o PSD e que olham para o partido como a única solução para a Madeira. Esta nova realidade é tão grave como qualquer dos outros exemplos mais longínquos – quando os detentores do Poder usaram esse privilégio para prejudicar pessoas, famílias, empresas, de outras cores políticas. Uma nova realidade que a mim, pessoalmente, desperta dois tipos de sensação: repugno reforçado pela contínua falta de respeito, quando eu julgava já ter visto tudo em matéria de soberba e arrogância; e um certo conforto, tenho de confessar, porque agora, pelo menos parte dos militantes do PSD estão absolutamente convencidos dos métodos ‘democráticos’ que torturaram várias pessoas, famílias e empresas. E como muitos desses casos foram relatados nas páginas do jornal onde trabalho, espero que muito boa gente reveja as depreciações erradas e manipuladas em que se deixaram enredar. À parte o desabafo do parágrafo anterior, o que eu desejaria mesmo é que os poderosos que aqui são acusados de forma directa viessem a público, com a ‘coragem’ e a arrogância habituais, desafiar quem se sinta lesado, quem tenha sido chantageado em nome de uma parte do partido. Até pode ser com o habitual comunicado corajoso, “incluso” posto a assinar por alguém do Secretariado. Tanto faz. Mas venha daí esse desafio! Haverá muito para contar.