
António de Spínola inventou a expressão para definir todos aqueles que não se manifestam, não estão nas ruas, não aparecem nas televisões e, como acontecia no pós-25 de Abril, não tinham formação política. Mas têm poder de decisão, porque votam. Concordando, ou não, com o marechal e com os seus objectivos, o certo é que as ‘maiorias silenciosas’ são uma das maiores preocupações de políticos e partidos. As surpresas, sobretudo em eleições, não entram nas contas dos candidatos. Não saber como reage o eleitorado é um dos pesadelos de quem vai a votos.
A poucos dias de uma eleição interna do PSD-M, as primeiras, em quase 40 anos, com dois candidatos, são os militantes anónimos, os que não têm cargos, nunca participaram em comissões políticas e só são vistos na romaria anual ao Chão da Lagoa, os que mais preocupam. Sobretudo à máquina do partido que estava a habituada ao contacto directo, a conhecer pelo nome e número de telefone todos os que iriam votar. Desta vez parece que há gente desconhecida. Gente de quem nem se tem o telemóvel para poder fazer uma ‘conversa’.
A dúvida, no interior do PSD e nas duas candidaturas, é saber se essa ‘maioria silenciosa’ quer manter o mesmo cenário no partido, ou apostar numa candidatura que enfrenta o líder de sempre. Se quer manter a situação actual ou arriscar em eleições antecipadas. Uma dúvida que também mexe com os outros madeirenses que não fazem parte desses três mil militantes que têm as quotas em dia.
Tudo isto porque uma das maiores invenções da Humanidade, a Democracia, tem uma particularidade: o voto do militante anónimo vale tanto como o do deputado, do dirigente... do presidente do governo. E isso irrita-os tanto...