Jorge Martins Sou por vezes acusado de escrever dum modo pouco perceptível para o cidadão comum. Concedo que, para não utilizar linguagem vernácula mais apropriada a quem me dirijo, me refugio em metáforas e outras esquivas linguísticas que, sabendo serem entendidas pelos alvos, poderão ser confusas para os outros, pacientes, leitores. Desta vez, por entender ser de trascendente importância, vou tentar ser, absolutamente claro e, por tal, passível de ser entendido por todos. Vem isto a propósito do , vergonhoso, comunicado do Conselho Nacional de Ética defendendo o "RACIONAMENTO" dos medicamentos para Doentes oncológicos, portadores do HIV e de "doenças reumáticas" assim como da, rápida, imprescindível e inapelável resposta do Bastonário da Ordem dos Médicos, ao fazer instaurar um inevitável processo de averiguações, sobre os médicos que a integram e subscreveram tão lamentável documento, funcionando como tal como ,sério aviso aos que, como tem sido publicamente reportado, em hospitais de várias Regiões do país, extravasando as suas competências e prevaricando perante o Código Ético e Deontológico da Ordem dos Médicos, têm vindo a racionar, melhor dizendo, sonegar, medicamentos imprescindíveis ao melhor tratamento, à luz da ciência , aos doentes que deles necessitam. É que o exercício de funções médicas não é concatenável com qualquer desempenho garantístico de uma posição na orgânica de que organização se trate. É que não se vai para Medicina, porque se tem emprego garantido. Não se vai para Medicina ,porque se ganha muito dinheiro. Não se vai para Medicina só porque se tem média de dezanove. Não se vai vai para uma qualquer especialidade, porque o que interessa é ficar na Madeira ou seja onde fôr. Não sou dos que defendem que ser Médico é um sacerdócio., ou mesmo um sacrifício. No entanto é imprescindível a vocação assim como o respeito e a dedicação aos que somos chamados a tratar. Juramento de Hipócrates "...não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado, deixarei essa operação aos práticos que disso cuidem..." Código Deontológico (Artigo 32º) - O Médico só deve tomar decisões ditadas pela ciência e pela sua consciência. - O Médico tem a liberdade de escolha de meios de diagnóstico e terapêutica devendo, porém, abster-se de prescrever, desnecessáriamente, exames ou tratamentos onerosos ou de realizar actos médicos supérfulos. Tanto quanto me apercebi, a actual Direcção da Ordem dos Médicos da RAM prometeu na campanha eleitoral, e por isso terá sido eleita, um novo paradigma de actuação. Tendo nós todos aprendido a ser pacientes, aguardamos, também nestes assuntos , que a promessa eleitoral se cumpra.