Assim disse o Professor João César das Neves, docente da Universidade Católica, em entrevista publicada pelo i-online em Setembro último. A entrevista, que é extensa, apreciava o estado da economia nacional e das mudanças sociais que dela advieram. Ao referir aquela expressão tipicamente associada aos adolescentes americanos, o Professor falava aos jovens portugueses que se escondem no sofá por um futuro. Esses hippies modernos, enganados numa revolução omissa - seguindo a comparação feita pelo Professor à realidade do Ocidente nos anos 60 e 70 - são a geração mais bem preparada em toda a história nacional, mas têm uma coisa que as impede de prosseguir e que as separa das gerações anteriores - o medo. O medo de que lhes esteja reservado o mesmo futuro dos actuais trintenários: a frustração dos seus planos, a inutilidade da sua formação. Diariamente assistimos à queda do castelo de cartas do Estado e da economia dele dependente. Somos devorados por potências estrangeiras, algumas que tínhamos como aliadas, e pela prepotência de académicos que ingressam na política, fartos da vida de doutrinação, rodeando gentes que, ao que parece, não tiveram jeito para mais nada. Sim há medo. Mas para volte a haver esperança tem de findar a rigorosidade mórbida e napoleónica do Estado para dar lugar à sua reestruturação lógica e atenta às necessidades sociais. Disso se fará a economia e dela brotarão novas finanças, mais ajustadas às verdadeiras necessidades públicas.

Carlos Diogo Pereira, Colaborador AAUMa