Fez notícia a vontade do PSD/Madeira em não discutira Lei das Finanças Regionais. Parece que considera o momento pouco apropriado. Não discutir será o lema. Não dizer, não cumprir, não fazer, são as novas palavras ordem do PSD/Madeira. Mas fica sempre a pergunta: não discutir e não avançar com uma revisão da Lei das Finanças Regionais serve a Madeira? Serve a República? Não, não serve. Apenas serve para quem não tem mais nada para oferecer aos madeirenses senão contas (atrasadas) para pagar. Aqueles que, apesar do estado lastimável de duplo resgate em que se encontra a Região Autónoma da Madeira (RAM), e dos imensos sacrifícios a que estão a ser sujeitos os mais pobres e a classe média, olham para o futuro com um projecto de desenvolvimento, sustentável e credível, não podem resignar-se. A Lei das Finanças Regionais e a Lei de Meios - que se cumpra, com transparência e rigor, é o que se deve pedir - são peças do financiamento da RAM, mas, fundamentalmente são recursos dos cidadãos portugueses, madeirenses e não-madeirenses, ao serviço do desenvolvimento. Quem recusa discutir a Lei das Finanças Regionais não tem futuro; acima de tudo não tem projecto. Mas a República, a RAM (e a RAA) têm de avançar, mantendo a solidariedade e a coesão económica e social como princípios fundadores de um relacionamento em que autonomia é um activo democrático que nos une, e a responsabilidade um dever de quem gere recursos públicos. Fugir ao debate é recusar o futuro. Fugir é sempre a marca de quem se furta às suas responsabilidades, ou de quem não encontra nos seus parceiros o reconhecimento devido. Acima de tudo, não encontra o reconhecimento da credibilidade necessária para firmar um acordo. Mas esse é um problema que diz respeito essencialmente aos madeirenses: à República aquilo que se pede é que não deixe para trás os madeirenses num momento em que estes mais precisam de ajuda. É por isso que neste momento de aflição, todos - de todos os cantos de Portugal - somos madeirenses. Todos percebemos que o Governo da República e o Governo da RAM têm a obrigação de cumprir o seu papel. Porque fogem da discussão? Porque empurram responsabilidades entre si? Também na Madeira há outro caminho.

Eurico Dias, Dirigente nacional do PS