Albertina Rodrigues De há de uns tempos para cá, meteu-se na cabeça de muita gente que a má educação é sinal de importância. Isto porque trabalha atrás dum balcão num centro de saúde ou sem ela, atrás duma secretária, dum cesto, ou duma esquina, porque tem um canudo, um curso que até dão um papelinho, mesmo que não sirva senão para colecionar etc etc. O pior é que quando nos calha ser "atendidos" por gente desta mentalidade que nos tratam como se fossemos garotos... Se pedimos uma informação qualquer respondem-nos com ar enjoado de quem nos considera ignorantes! Andava eu cansada de tanta gente "importante" e mais uma vez dei de caras com uma destas personagens. Só que não ficou em "branco"... Mas como sempre, há frente e verso. Quero realçar o outro lado da moeda; no momento exato alguém de bata branca surge à porta de rosto sorridente a nos convidar a entrar... Mas como já vi muito galo baixar a crista, este será mais um entre outros galos ou galinhas. Felizmente há exemplos que mostram a delicadeza de outros: num destes dias entrei no mercado. Fui até a lota. Os homens do mar que me atenderam foram de uma delicadeza extraordinária. Depois disso ao comprar umas coisitas numa banca de verduras, o SENHOR que me atendeu, não só foi atencioso, como se ofereceu para levar os poucos sacos que eu tinha comigo. Agradeci a atenção mas disse que não era preciso, mas o homem da terra não desistiu. Acaba de me atender e de seguida pega nos sacos e caminha a meu lado até a porta principal do mercado, regressando de seguida ao seu lugar. Agradeci tal gesto. Então dei comigo a pensar: isto é o que ainda resta do povo madeirense, simples e espírito de ajuda qualquer que seja a sua profissão ou estatuto social. E isto não se aprende em qualquer curso mas sim na família. É tempo de voltarmos a ter esta forma de pensar e de agir.