Esta será a semana de todas as decisões no PSD/M. Uma semana com toda a certeza histórica num partido onde, durante muitos anos, a liderança nunca foi contestada, onde a palavra de um homem só foi lei, e onde a obra pública foi o grande sustentáculo do poder e de tudo o que girava à volta deste.
Pela primeira vez, alguém ousa contestar a liderança, apresentar um plano B para o partido e para a Madeira e contestar um líder pouco habituado a mecanismos democráticos, apesar de ter como coroa de glória dezenas de eleições e maiorias absolutas. Batalhas que sempre considerou ganhas à partida, porque sempre hostilizou, ridicularizou e espezinhou o adversário e, lá no fundo, sempre acreditou que as eleições democráticas e a vontade do povo tinham como único propósito a sua consagração.
O dia 2 de Novembro de 2012 será, por isso, histórico para o PSD/M. Desta vez, o líder é contestado por dentro, há uma força que cresce no partido e que diz já não acreditar que o caminho trilhado nos últimos anos seja o mais correcto. Alguém que afirma que o líder teve o seu tempo, que agora são precisas novas políticas, novos rostos, outras ideias.
As eleições internas serão históricas, mas o que realmente importa é o dia seguinte. Não só pelos resultados, mas sobretudo pelos efeitos e pelas consequências que esta eleição terá no futuro PSD.
Para já, existe uma única certeza, se o vencedor for o líder de sempre, está garantido que pouco ou nada se vai alterar. O próprio já disse que no dia 3 de Novembro passa uma esponja no assunto e espera que tudo volte à normalidade, sem contestações, sem ideias diferentes das suas, sem diálogo, sem ambições, sem críticas, mesmo que existam razões para isso.
Afinal, o actual PSD/M tem um único ADN: só sabe governar num sentido, só sabe liderar se não for contestado, só sabe ser feliz no absoluto silêncio da verdade e da voz única. Da mesma forma que só sabe governar como até aqui, sustentado em obras, mesmo que de utilidade duvidosa, e na distribuição de dinheiros públicos pela máquina que sustenta o regime e o poder.
Se dúvidas houvesse, basta ver a alegria pueril do líder quando inaugura, satisfeito em pensar que Lisboa tem ciúmes das suas deslocações em carro preto para fazer o mesmo de sempre: descerrar lápides com o seu nome.
E, na voragem de só saber fazer isto e mais nada, nem se apercebe que já não é só dentro do partido que contestam a sua liderança. Cá fora, na vida real, há muita gente que preferia ver o presidente em outras acções. Gostariam, porventura, de o ver nos sítios onde o mosquito pica e atira famílias inteiras para a doença, em locais onde já não há trabalho, nas filas do Centro de Emprego, nas escolas sem livros para distribuir aos alunos carenciados, no hospital onde faltam medicamentos.
O presidente pode ficar feliz com inaugurações e com a eventual vitória dentro do partido, mas na vida real, onde mal sobrevivem muitos madeirenses, há expectativas mais altas e estas, mais cedo ou mais tarde, vão fazer-se ouvir