Se for aprovado como está ao nível da tributação em sede de IRS o Orçamento de Estado de 2013 será um rude golpe nos trabalhadores por conta doutrem, pensionistas e trabalhadores dependentes em geral. Vamos todos viver com menos dinheiro disponível e vamos todos, inevitavelmente, "injetar" menos dinheiro na Economia. Nesta fase difícil da democracia portuguesa, de manifestações na rua e descontentamento generalizado, frequentemente eles, os políticos, os "maus da fita", são os culpados. Nas ruas, nos sindicatos, nas empresas, na sociedade em geral, tendemos a atribuir as culpas aos políticos, adjetivando-os de forma pouco simpática como se isso resolvesse o problema e nos aliviasse a consciência. Numa palavra, a culpa é "deles". Nada mais errado, a meu ver. "Eles" ao que sabe foram democraticamente eleitos por nós. Não embarco no populismo de afirmar que cada povo tem os governantes que merece, mas "eles" são o nosso espelho. E espelham aquilo que no fundo nós somos. E se queremos que sejam melhores na sua função, mais capazes de tomar melhores decisões, mais ligados aos reais problemas dos eleitos, terão de ser os eleitores a fiscalizar melhor os eleitos. E teremos de ser nós a dar o exemplo, não apenas no manifesto mas lutando nas instâncias próprias e não nos demitindo da nossa função como cidadãos e trabalhadores exemplares que temos de ser. "Eles" têm a sua função, mas nós também temos a nossa. Não é sequer uma questão política, mas antes de cidadania. É como querer salvar o planeta da poluição, sem antes separarmos os lixos das nossas casas, ou querermos salvar a floresta Amazónia sem fazer a mais pequena poupança de papel nas nossas casas. E por aí adiante. Culpá-los a eles pode aliviar-nos a consciência, mas não resolve o problema. A culpa é nossa.
Luís Sena Lino, Consultor de Marketing e Comunicação