Sérgio Poitier Há tempos um escriba do Jornal da Madeira escrevia que, por uma questão de ética e moral, só se deviam pronunciar sobre a disputa da liderança no PSD/M os militantes do partido. Ora, uma questão quando se torna pública não pode a opinião pública deixar de se pronunciar. Quem não quer que as pessoas se pronunciem sobre determinado assunto não as tragam para os jornais. Mas relativamente à divida interna japonesa, dizia um dos intervenientes no programa FALAR GLOBAL da RTP/M, mais ou menos o seguinte: que o problema dos países é terem um problema de dívida externa, porque o Japão não a têm, na medida em que, a dívida japonesa é fortemente interna. Acontece, porém, que o Japão, de acordo com a legislação, e mesmo sem evolução das taxas de juro, hoje em dia praticamente nulas, a dívida bruta deverá passar de 204% para 245% do PIB em 2014, e, segundo o Banco de Compensações internacionais, para 300% em 2020. Se é verdade que, o Japão acumulou um stock considerável de capital, esgota-se a sua capacidade para financiar a sua divida através das suas próprias poupanças. Tanto mais que privados de financiamento e procura, devido à orientação da poupança para os títulos do tesouro, as empresas privadas japonesas arriscam-se a deixar de investir e de alimentar a inovação e o crescimento. Para chegar em 15 anos a um rácio de divida pública de 60% de PIB, seria preciso que o Estado diminuísse pelo menos em 20 pontos o PIB em cortes orçamentais e aumentasse os impostos, E se isso não for atingido, os aforradores japoneses, por muito patriotas que sejam, podem perder a confiança e deixam de financiar o Estado. As taxas de juro aumentariam, e a falta de dinheiro para pagar a divida interna não levaria muito tempo a acontecer. O mundo está como está porque se vive de dívida e não da economia real, quer seja ela interna ou externa. A história de José Sócrates de que as dívidas gerem-se é conversa fiada. É que há dívidas e dívidas.