A doença oncológica é traiçoeira, todos sabemos, pois surge dissimulada até, muitas vezes, já ser incurável. É implacável pois o percurso para a cura ou a morte é pejado de sofrimento. É desalentadora para o doente, a sua família e amigos pela incerteza do desfecho que encerra. Felizmente a Medicina moderna vai encontrando tratamento eficaz para cada vez mais casos. Pensemos nisto, 1 em 3 madeirenses vai morrer de cancro; se existem áreas prioritárias na saúde regional, é esta sem dúvida alguma! Por maior obrigação financeira que a Madeira tenha, por maior estrangulamento orçamental ou acordo assinado pelo nosso Governo Regional, tem de haver sempre prioridades. Sempre. O doente oncológico tem direito a um tratamento com qualidade e, acima de tudo, em tempo útil, antes que a doença se dissemine. Tem direito a exames e seguimento, a cirurgias sem lista de espera e ao acesso à quimioterapia sem a limitação de um qualquer gestor. Tem direito ao apoio psicológico, nutricional, reabilitação, terapia da dor e apoio social. Tem direito ao acesso aos IPO´s do continente. Por melhores que sejam os profissionais do SESARAM, e são-no de facto excepcionais, existem carências graves às quais esses profissionais são alheios. Se a nossa Autonomia existe para nos servir, como pode ela nos impedir agora de aceder aos mesmos cuidados que, por exemplo, algarvios, beirões, ou açorianos têm nos Institutos de Oncologia mais diferenciados? A proposta da VIA VERDE para o doente oncológico agora apresentada pelo CDS Madeira é uma forma de restituir os direitos do doente oncológico na Madeira, direitos esses que já existiram no passado. Assim, haja lucidez para que seja.

Mário Pereira, Deputado do CDS na ALM