Que os tempos actuais e os que se avizinham não serão fáceis, não é novidade. Resignar-se a tal facto, dando-o como dado adquirido não pode ser a atitude. Importa olhar de frente as adversidades e situar-se realisticamente nas respostas possíveis que cada um de nós possa dar dentro das suas áreas de intervenção e na salvaguarda da dignidade humana. Nesta linha, entendemos que as políticas de proximidade aos cidadãos, geridas localmente pelos diferentes agentes de desenvolvimento ganham cada vez mais espaço e devem ser impulsionadas. São as colectividades de desenvolvimento rural, as instituições de solidariedade social, as associações culturais e desportivas, juntamente com as paróquias, as escolas e os órgãos autárquicos que poderão reduzir e combater o impacto da austeridade naqueles que são mais vulneráveis. Urge continuar a apoiar financeira e logisticamente estas entidades, pois são aquelas onde todos os cêntimos são rentabilizados, onde aqueles que precisam são conhecidos e tratados pelo seu nome, onde o resultado das sinergias do colectivo é superior ao somatório de cada uma das partes. Formar e dotar de novas competências estas pessoas, será proporcionar-lhes oportunidades de crescimento e valorização. Estas não são políticas de subsídios mas de investimento efectivo no apoio às populações. E todos juntos, somos poucos! Importa, assim, incrementar e sedimentar estas políticas locais, conjugadas com lideranças de visão mobilizadora do todo, não se resignando ao fatalismo da austeridade, como parte da solução para os tempos mais próximos. Pela nossa parte, faremos por isso!

Nuno Maciel, Professor