Falar em cultura no nosso País ainda representa, à primeira vista, um torcer de narizes e uma grave desconfiança em relação ao "todo" que esta palavra agrega. É comum uma associação directa, mas errónea, da cultura com assuntos e conteúdos surreais que representam apenas despesa ao sector do Estado. Na ideia de muitos, este é o único garante do funcionamento deste sector a que chamamos cultura, mas vejamos: Das artes plásticas à música, das editoras aos conteúdos televisivos, a cultura surge como um importante criador de empregos directos e indirectos em variadas áreas. Segundo a EU a cultura é sinónimo de mais de 4% do PIB comunitário. Por sua vez, em Portugal, estas indústrias culturais criam mais riqueza do que as industrias manufatureiras subsidiadas pelo governo, representando 3% do PIB. É mais fácil chamar a atenção recorrendo a números quando se pretende ressalvar a importância de algo, mas não esqueçamos que riqueza adquirida requer investimento e, neste âmbito, a cultura tem sido marginalizada por todos os governos do Espaço Português. Quanto ao caso madeirense, aviso: Cultura e Turismo são elementos inseparáveis, preservem-nos. Ninguém procura visitar uma ilha para visitar aterros, obras e caminhos cortados. É missão do governo deixar de transmitir para o exterior uma imagem tenebrosa de (des)funcionamento e de desrespeito pela preservação cultural regional.
Diogo Gonçalves, Colaborador da AAUMa