O que se vai passar no próximo dia 2 de Novembro não diz só respeito ao PSD/M. Em mais de 30 anos, este partido que começa e acaba numa só pessoa, concentrou na Madeira todo o poder da decisão politica….e não só! Para o bem e para o mal, o PSD/M confunde-se com o destino da própria Região depois do 25 de Abril. Sendo assim e ao limite, todos os madeirenses deviam poder votar, pois o que está em causa é um regime político que vivendo comodamente nas bordas de uma democracia demasiado tolerante, enredou-se em cumplicidades viscosas, foi perdendo credibilidade interna e externa e exibe agora, em tempo de crise, uma perigosa incompetência na governação desta Ilha. Ao surgir pela primeira vez dentro do partido uma alternativa para a liderança, embora tenha nascido com o pecado original de uma paternidade pouco recomendada, está contudo ungida com a sagrada virtude que protege quem não tem medo de afrontar o poder estabelecido. Um poder tentacular, que foi crescendo sempre que uma voz assustada se calava, uma espinha reverente se vergava ou uma consciência agachada estava à venda. Mas apesar do terreno minado e pantanoso, das sentinelas atentas aos "traidores", dos Judas insuflados por promessas e dos bufos que espreitam pelo buraco da fechadura de restaurantes suspeitos ….. por mais que alguns não queiram e outros até se arrepelem, no dia 2 de Novembro vão subir à cena não um, mas sim …. dois PSDs. De um lado um PSD NOVO, de passo ligeiro, sem gravata, com um iPad debaixo do braço onde guarda a sua proposta de "Mudança". Do outro, um PSD VELHO, de andar lento pois as artroses já pedem uma bengala, arrastando um pesado baú onde, escrito num pedaço de papel do JM, se pode ler a palavra "Esperança". Consta que essa velha arca, que guarda uma "Madeira Nova" feita de viadutos, piscinas, furados e marinas, tem um fundo falso, onde se esconde uma gestão populista, talvez vistosa mas pouco séria e desgovernada quanto aos dinheiros públicos. Em noites de lua nova e amaldiçoadas pela troika, lá do fundo do baú, ouve-se o ranger tenebroso e assustador dos dentes de vampiro do ministro Gaspar à procura de sangue fresco dos madeirenses desprotegidos. Conta quem sabe, que este PSD Velho, na sua juventude era temido pelo poder de fogo sobre os inimigos que se lhe atravessavam no caminho. Olho vivo, boa pontaria e dedo rápido no gatilho …. era tiro e queda. Assim se mantinha o inimigo à distância, os "companheiros" em respeito e os outros …. mudos e sossegados. Mas o tempo é pérfido para quem não o respeita e hoje o PSD Velho, já com a vista turva e o dedo trémulo no gatilho, dispara ameaças e insultos para todos os lados e já só acerta nos seus próprios pés. No desvario de perseguir fantasmas maçónicos e demónios escondidos na bruma da capital do império, não consegue pressentir que os inimigos sem medo já se aproximam, enquanto os "amigos" mais prevenidos, já se afastam. Não sei quantos votos vão separar a "Esperança" vinda do passado e a "Mudança" que procura o futuro, pois não tenho uma bola de cristal nem sei ler nos astros. Mas sei olhar a Historia e lá vejo os Velhos do Restelo que virados para o passado, não queriam que as caravelas partissem e trouxessem novos mundos. Vejo os Velhos Generais da brigada do reumático, que agarrados a um passado moribundo e a poucos dias da revolução de Abril, juravam fidelidade ao regime que já caía desamparado na rua. Mas para além do que acontecer nestas eleições, ficará bem à vista de todos, os golpes baixos e demais truques a que o Velho PSD deitou mão para tentar derrotar os seus "companheiros" do PSD Novo. E na politica, tal como no circo, quando se mostra como se faz o truque …. o mágico perde todo o poder!

Manuel de Brito