Há muitos anos atrás, talvez com os meus 15 anos, recordo-me de ter lido o livro "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera. Não vou, aqui e agora, fazer abordagem a esta obra, mas aconselho e considero obrigatória a sua leitura. Lembrei-me do seu título para caracterizar um pouco o que se passa com o nosso "mundo"…, uma insustentável leveza do ser, a nível regional: quando nos deparamos com um presidente que não aceita a democracia dentro do seu partido, dito democrático e, desata a dizer mal dos seus parceiros de partido e de governação, única e exclusivamente porque chegou a hora de dar um novo rumo e uma nova vida ao futuro desta Região; uma insustentável leveza do ser, a nível nacional: quando nos deparamos com um governo nacional completamente insensível ao povo e às suas dificuldades e que se preocupa única e exclusivamente em governar o país com acordos e compromissos orçamentais, realizáveis unicamente em folhas de excell, mas nunca na vida real e com as dificuldades que todos conhecemos; uma insustentável leveza do ser, a nível europeu: depois de passados meses a assistir a duras negociações entre a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetários Internacional) e os países em dificuldade, como a Grécia, Portugal, Espanha, Itália, entre outros, começam finalmente a admitir que erraram no modelo adoptado e que o melhor será começar a pensar noutras soluções. Tudo o que fizeram, levou ao empobrecimento das famílias, empresas e economias, arrastando tudo e todos. Nenhuma economia cresce se não houver consumidores e poder de compra. Não será melhor dar mais prazo para o pagamento das dívidas e controlo das contas públicas? Será que todas estas "levezas do Ser" nos levarão ao insustentável peso de todos estes encargos sem qualquer consequência? Milan Kundera, explora no seu romance, a ideia da "incoerência das acções do ser humano, baseada nas suas motivações mais obscuras mas verdadeiras, procurando uma explicação para o não sentido que a vida de cada um aparentemente tem, independentemente das circunstâncias exteriores em que vive". Só espero, é que toda esta leveza não se transforme num enorme e insuportável peso para todos nós…
Pedro Calado, Vice-presidente da CMF