Os rankings das escolas, embora se baseiem na comparação de dados incomparáveis, podem, todavia, ser úteis se forem assumidos, por um lado, como mais um indicador a juntar ao debate sobre a qualidade da escola pública e da escola privada e se constituírem como mais uma referência para os professores, os alunos e os encarregados de educação refletirem sobre a sua própria escola e os seus resultados objetivos. As escolas, que são uma montra da sociedade com uma panóplia de especificidades, como sabemos, não se limitam a formar os alunos para a realização de testes escritos, subsistem, naturalmente, outras competências e aptidões, outros conhecimentos e saberes fundamentais para o seu crescimento e desenvolvimento integral que não são nem podem ser avaliados nos exames nacionais. Este ano, o Ministério da Educação adicionou aos resultados dos exames o contexto de cada escola e, deste modo, escalonou os rankings tendo em conta as habilitações e as profissões das famílias, bem como os elementos da ação social escolar. Esta nova forma de apreciar as médias dos exames nacionais disponibiliza informações que, não sendo completas, se apresentam mais fiáveis e mais justas. Contudo, sem qualquer justificação plausível, este esforço de elaborar os rankings introduzindo os indicadores do contexto e as referências sociais dos alunos não envolveu as escolas privadas nem os estabelecimentos de ensino da Madeira e dos Açores, criando, assim, uma distorção na análise dos resultados do país de acordo com o mesmo contexto socioeconómico. No próximo ano, esta diferenciação tem de ser corrigida para que possamos comparar de um modo mais equitativo todas as escolas, sem exceções.
Rui Caetano, Professor