Primeiro foi a pergunta de uma jornalista que faz há muito a cobertura parlamentar. “Então e a Madeira?”, questionou-me. “Conta-me lá o que é que se passa”. E eu lá disse: “Tudo na mesma”. Mas podia ter dito: “Vai-se andando com o tempo, obrigada”.

E ela olhava para mim meio estupefacta, meio incrédula. E nem precisou de me dizer mais nada. Pelo seu olhar vi logo qualquer coisa como: Mas esta é a mesma Região que nunca se sabe o que pensa de um Orçamento de Estado, cujos deputados ameaçam - mesmo quando isso nada importa a não ser para os jornais - votar contra os seus partidos? A mesma terra que primeiro fez tremer o Governo de José Sócrates? A que esteve na origem de uma quase demissão do ministro Teixeira dos Santos nos tempos em que a revisão da Lei de Finanças Regionais se sobrepunha, em termos de interesse mediático, ao próprio Orçamento?

Em jeito de antecipação lá lhe disse. “Continua atolada em dívida, não cumpre a execução orçamental a que se comprometeu (o país também não, é certo) e o Governo de Lisboa congelou as transferências relativas ao Plano de Ajustamento até apresentarem alternativa”.

A minha interlocutora continuava boquiaberta. Prossegui: “A situação transpondo para o todo nacional seria equivalente a estarmos sem receber as tranches da ‘troika’ por incumprimento”.

“E ninguém diz nada? E o Jardim?”, perguntava-me. “Está em Bruxelas, tem viajado muito”. “Mas a ajuda à Madeira não vai do Estado, está no estrangeiro a fazer o quê, não devia estar a negociar cá dentro?”.

Comecei a ficar sem resposta. “Pois”, anuí. E continuei. “Para além disso, diz que a Madeira é a terra mais pobre de Portugal, segundo um estudo”. “Mas não era a mais rica a seguir a Lisboa?”, retorquiu. “Se tiveres em conta o PIB, parece que é, mas pelos vistos há pobreza além do PIB”, respondi-lhe. Agora estava atónita.

Mais tarde li o desabafo de outra colega jornalista no Facebook. “Entretanto a situação da dengue na Madeira está a piorar e ninguém fala disso”, lamentava. E é verdade.

A Madeira enquanto tema com interesse nacional emerge e submerge conforme os tempos, parafraseando Paulo Portas sobre os submarinos. Nisto Jardim tem razão.Mas entretanto, nada mudou. O que se alterou foi para pior.

E quem antes estrebuchava por tostões, agora não fala de milhões. Deste lado do Atlântico, parece-me que não é só o país que deixou de dar importância à Madeira. Quem a governa também.