Com alguma frequência assistimos ao digladiar de ideias por entre os gurus da economia sobre os modelos que devem seguir as sociedades contemporâneas. Isto apesar de esta disputa estar a léguas dos confrontos excitantes entre Keynes e Hayek, por exemplo.
Evidentemente, hoje, as principais economias modernas são um híbrido de dois modelos perfeitamente antagónicos de Estado, é já não há exemplos perfeitos e claramente elucidativos das idealizações originais.
Há os que advogam que o Estado se deve imiscuir na economia de modo a garantir a estabilidade e a qualidade de serviços públicos. Outros entendem que uma prevalência mais "limitada", com as devidas salvaguardas, seria mais ortodoxa, dado que a intervenção estatal sorve os recursos que devem ser alocados para a iniciativa privada, com agravante da sua gestão ser ineficiente e "clientelista".
Em Portugal, este debate sobre as funções do Estado e sobre a sua real concepção não perdeu relevância e assume contornos ainda mais determinantes quando nos encontramos perante esta cruzada dicotómica entre o dar primazia à economia ou sacrificá-la em função da matemática orçamental.
É pois imperioso definir claramente até onde queremos o Estado, numa decisão tão inevitável quanto premente, isto sob pena de pervertermos indubitavelmente qualquer uma das visões acerca do seu papel na economia, facto consubstanciado quer através da entrega de cada vez mais recursos ao Estado, quer pela degradação dos serviços que o mesmo presta aos cidadãos.
Rafael Freitas, Colaborador da AAUMa