Lembro-me de ter ficado cativa de Miguel Torga, que escreveu um dia "(…) somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados", quando li o livro de contos "Os Bichos", que humaniza os bichos e animaliza os homens. E porque de "bichos" se tem falado tanto, enquanto se passeavam pelo areal pavões, tubarões, patos bravos, preguiças, ténias e outros que tais, apontando obras, muitas das quais elefantes brancos, havia e há gente a sofrer. Perante mais um orçamento castrador de sonhos e merecedor de outros tantos epítetos que estas linhas não podem conter, a formiga vê-se obrigada a pedir. Inverteu-se o ditado "Iactura paucorum serva multos - a sobrevivência de muitos justifica o sacrifício de poucos", e sacrifica-se muitos em prol de uns poucos. Ironicamente alguns dos esbulhadores, que espoliam o povo com os seus votos a favor de orçamentos desumanos, vêm depois dar com uma mão os vales e os sacos de alimentos que tiraram com a outra. Maior valor tem a solidariedade invisível, aquela que parte de quem não apregoa o bem que faz. Entretanto, à ilha dourada chegará o PAEL - Programa de Apoio à Economia Local, qual lobo em pele de cordeiro, numa altura em que todo o país mais parece um PAIOL com o fogo bem perto do rastilho. Resta-nos a esperança. Renascerá das cinzas como a mítica fénix. P.S. - As cigarras que se cuidem. Por este andar, a faltar à formiga, também para essas será o canto do cisne. Vão de patins. Algumas no carro do Armando, que nem para Clio quanto mais para Audi.
Renata Sousa, Vereadora PS na CMPS