Esta conhecida frase foi proferida no discurso inaugural de Franklin Delano Roosevelt, o presidente americano que tomou posse em 1933, nos piores dias da Grande Depressão. Quase 80 anos depois, a frase permanece poderosa e continua a fazer sentido, principalmente se lermos o Parágrafo completo de onde esta citação foi retirada: "Então, em primeiro lugar, deixem-me declarar minha firme convicção de que a única coisa que temos a temer é o próprio medo - sem nome, sem razão, o terror injustificado que paralisa os esforços necessários para converter a intenção de fugir em vontade de avançar". Neste primeiro discurso, Roosevelt referia-se à mentalidade pessimista da época, aos comentários negativos que paralisam, às queixas desesperadas de quem acha que não pode mudar nada... se não pudermos livrar-nos desta mentalidade pessimista e derrotista será muito mais difícil que surja a vontade de avançar e mudar alguma coisa. Agora, tal como em 1933, estamos cheios de medo. Temos que livrar-nos deste medo paralisante, deixar-nos levar por uma certa "exuberância irracional". Agora mais do que nunca, é importante arriscar e experimentar novas soluções. A cultura, as artes, a criatividade são mais relevantes do que nunca. Já o disse milhares de vezes e continuarei a dizê-lo: estas alturas de crise podem ser catalisadoras de grandes mudanças, desde que ignoremos os "velhos do Restelo" que realçam aquilo que nos amedronta para que não nos aventuremos por territórios inexplorados.

Roberto Macedo Alves - Desenhador de BD