Muito se tem dito e escrito sobre mosquitos e dengue nos últimos dias. Do muito que se tem dito, alguma coisa diz respeito a uma entrevista da RTP/M no aeroporto, em que se perguntava a turistas recém-chegados se tinham sido informados sobre a existência de dengue na Região. Grande sururu no Turismo. Um atentado ao turismo madeirense, uma estação de televisão (ainda por cima pública) está a por em causa a sobrevivência do sector-chave da economia regional. Erro: o turismo não é posto em causa pelas acções ou omissões de uma estação de televisão regional. Os madeirenses não vêm de férias à Madeira. O turismo é, sim, posto em causa pela forma como se vende e promove o destino. Acima de tudo, o turismo é posto em causa pela forma como se o planeia e desenvolve. A Madeira não pode ser vendida como destino de massas, mas acaba por sê-lo porque foram autorizados muitos mais hotéis que os recomendados por sucessivos estudos de marketing. As dificuldades do destino podem encontrar-se também na falta de investimento na criação de uma transportadora local que, como a SATA nos Açores, servisse a Madeira transportando para aqui clientes de toda a Europa. De uma forma rentável e sustentada. Em vez de andar a subsidiar transportadoras low cost com personalidade de vampiro. A função da RTP/M é informar os madeirenses. E neste caso cumpriu cabalmente essa função: demonstrou que, ao contrário do que assegura a DRT, os clientes que nos visitam não sabem da existência de dengue na Região. Não sei se é ou não importante que saibam. Sei que o que escondemos acaba sempre por se saber, e normalmente da pior maneira possível. Também sei que a situação actual do turismo decorre do desgoverno em que vivemos há mais de 30 anos. E que os mosquitos são apenas um sinal claro da inépcia, incúria e irresponsabilidade de quem nos governa.
Roberto Loja