Maria Luís Contrariamente às imagens e às informações negativas que passam diariamente no meu país, não posso acreditar que esta realidade tenha obrigatoriamente que me roubar a esperança de um amanhã melhor. Peço desculpa, mas não tenho esse direito! Contrariamente ao que diariamente me obrigam a acreditar, não me sinto um número a mais. Sou sim, uma jovem num país com ideias a menos. Afinal de contas, quem segue fielmente ideias pré concebidas, é que não as tem. Sempre me ensinaram que tinha direitos e que deveria cumprir com honra os meus deveres. E que também valia a pena lutar pelos meus sonhos e pela minha felicidade. Confesso que não é fácil considerar que tenho esse direito nos dias que correm, e julgo que não peço mais do que aquilo que mereço, por exemplo, um trabalho ou um futuro digno. Nunca me disseram que viver seria fácil e que lutar não era necessário, por isso hoje é só mais um dia. Amanhã virá outro e depois outro e outro…e a oportunidade aparecerá, nem que seja num outro país ou numa outra cidade onde alguém acreditará no que tenho para dar. E vejam só, tenho a sorte de ser Portuguesa e este facto preenche-me de forma inata e natural de uma coragem, determinação e uma fé inconfundíveis. E desistir não é opção, nunca foi. Eu, ao contrário do que possas pensar, não preciso de ver terra, para saber que ela existe para além da linha do horizonte. Por isso, não é por ver o meu país infeliz e desacreditado, que tenho que me consciencializar que ficará assim para sempre! Se porventura for obrigada a optar por desistir do País que me criou e a todos vós também, vou com certeza honrar o que é verdadeiramente ser português e vou deixar que me admirem… Porque ser feliz é a minha prioridade. Mas lembrem-se que um dia, num país envelhecido, orgulhosamente só, vocês serão os únicos responsáveis por este destino.