Fernando Matias No século III a.c. terá sido o general Galbe a escrever numa missiva dirigida à capital do Imperio Romano qualquer coisa como isto: " há na parte mais ocidental da Ibéria um povo estranho que não se governa nem se deixa governar". Vinte e quatro seculos depois estranhamente continuam a ser verdadeiras as afirmações deste governador Romano. Estamos num tempo e num país cujo governo não gosta dos Portugueses, nem os Portugueses gostam do governo, num tempo e num país onde a nata da nossa juventude imigra e utiliza noutras partes do globo as capacidades e competências que todos pagámos com os nossos impostos. Estamos num país que investe na educação para entregar de mão beijada a estranhos aquilo que preparou para a sua própria a sustentabilidade e regeneração futura da nação (ainda por cima incentivada por quem nos governa). E pior, estamos num país que fica cá com os " doutores" e exporta os quadros superiores, fantásticos técnicos e os tão apreciados encasáveis trabalhadores Portugueses. Sim porque "doutor" não é a mesma coisa, enquanto os outros (os quadros) entram antes das portas da empresa, repartição, departamento ou lá o que seja abrir e, esfalfam-se por cumprir os objectivos que lhes são impostos para que o colectivo funcione, no fim do dia regressam a casa com o firme propósito de se actualizarem e potenciar conhecimentos. Os doutores têm à porta uma secretaria que invariavelmente nos diz: aguarde que o Sr. Doutor ainda não chegou; ou então! Hoje já não pode ser que o Sr. Doutor já saiu. Temos então aqui um dilema algo controverso, somos extraordinariamente bons lá fora e ordinariamente medíocres cá dentro , ou será que colectivamente não somos capazes de inverter a mais básica das condições de cidadania que vai permitindo que no seculo XXI ainda se apresentem por aí cidadãos que, quando as coisas não lhe correm de feição se armam aos cucos e por cima do sobrolho carregado dizem empertigadamente: O Sr. sabe com quem eu sou? Pois é mesquinhices, doutorices, racismo social. Cidadania, é o que urgentemente se precisa, para que organizadamente e com a competência que nos é reconhecida possamos criar a base de uma sociedade nova, moderna e justa sem ter-mos que vergar às incondicionais exigências troikanas, que como povo "que não se governa nem se deixa governar" não soubemos precaver.