A tendência para saltar a página, para não falar do essencial e decisivo, não é um exclusivo de Passos Coelho. Ao omitir deliberadamente no debate quinzenal de sexta-feira passada a parte do seu discurso relativa a custos e sacrifícios decretados pelo Orçamento do Estado, o primeiro-ministro apenas mostrou ser mais um aluno da escola que nos trata como tolos, a mesma em que Jardim se gaba de ser visionário, ele que tudo antecipa, sem que nada faça para alterar o rumo dos acontecimentos. Uns e outros são especialistas na ocultação da triste realidade, na fuga ao incómodo que a verdade causa, nas manobras que encobrem a irresponsabilidade na gestão da coisa pública e na criação de factos que visam desviar atenções. Os exemplos próximos confirmam-no. Andam os madeirenses a deitar contas à vida para pagar o que devem, a equacionar opções para que não percam a dignidade, muitos deles enganados por promessas vãs do Governo, e o que faz Jardim? Salta a página do compromisso assumido e por si assinado, o tal plano impossível, e mete umas férias estratégicas, com viagens retemperadoras à Polónia e a Bruxelas, sem que em nenhum dos palcos europeus se conheça uma única vantagem da sua presença. Andam os madeirenses aflitos com o dengue, fartos de ser picados pelo mosquito e pelas sucessivas inabilidades que afectam a saúde pública e a qualidade de vida e o que faz Jardim? Perde horas a escrever barbaridades, a dar-se ao ridículo de pôr um Conselho de Governo a apresentar queixa contra a RTP devido a uma reportagem que alega configurar um crime de "sabotagem económica" e a inventar culpas terceiras que lhe dão jeito na disputa interna, ordenando publicação de textos de campanha sob forma de notícia de jornal, mas sem assinatura. Andam os madeirenses a honrar as suas obrigações fiscais e o que faz Jardim? Não cumpre de forma significativa as condições estipuladas no programa de ajustamento celebrado com a República - e quem o diz é a Comissão Europeia!- e espatifa 3 milhões de euros por ano num jornal que tomou de assalto para se perpetuar no poder, até para ofender os seus ou enxovalhar pessoas que nem conhece, nem lhe devem nada, e para destruir os princípios elementares do jornalismo que nunca praticou. Andam as escolas da Região às aranhas, sem papel, telefones e recursos para que possam educar eficazmente e o que faz Jardim? Inaugura 200 metros de estrada, congela verbas, faz-se convidado num jantar de viticultores e disserta sobre o estado da relva de um parque público. Não fora a imprensa livre, a Região hoje governada por omissão também já tinha saltado a página. Estêvão Neves, Empresário Tornou-se no maior accionista individual do banco liderado por Nuno Amado. Num ano em que assinala 50 anos de carreira na área da distribuição alimentar e na hotelaria, a aposta num sector tão controverso como decisivo é um marco. Victor Freitas, Líder do PS-M Enquanto alguns partidos esbanjam oportunidades para afirmar-se como alternativa, os socialistas produziram conteúdos e estratégias úteis para a Madeira. O contributo para a Autonomia nos diversos organismos de actuação foi oportuno. Vicente Jorge Silva, Jornalista Voltou a irritar o jadinismo que "mete dó" ao denunciar práticas regionais promíscuas e agressões à constituição. Deixa matéria quanto baste para reflexão, numa hora de manifesta agonia de quem governa, tal é o medo que manifesta. Miguel Nunes, Automobilista O novo campeão regional de ralis pode ficar para a história. Farto da FPAK, já assumiu que não vai tentar revalidar o título que acabou de ganhar, pois o tempo não está para a aventuras. Denota sensatez que falta a outros. Que goze bem os louros! Miguel Ferreira, Presidente do SESARAM Convinha concentrar esforços na sua missão em vez de dar palpites sobre a comunicação. O que contribui para o alarmismo em torno do dengue e da saúde em geral são as declarações infelizes e a gestão romanceada dos serviços.
Saltar a página é com eles!
Passos omitiu que vem aí mais custos e sacrifícios. O viajado Jardim não faria melhor