Estamos a assistir a uma luta feia no PSD. Uma guerra interna que revela todos os traços deste partido, os vícios acumulados e os meios utilizados para obter os fins desejados. Nesta triste batalha, com reflexos internos no interior do partido, mas também com estilhaços junto da governação, reforçando a crua realidade de uma desorientação crescente, a única boa noticia é deixar claro o que é efetivamente o PSD da Madeira. Esta briga de compadres, permite escancarar os métodos, as iniciativas, os comportamentos do PSD, das suas cúpulas. No fundo, este frenesim delirante vai deixar tudo às claras, sem qualquer censura. Mas a(s) vitima(s) volta (m) a ser o povo da Madeira. Não o Albuquerque conforme alguns querem fazer crer, ou o Jardim, como outros procuram explicar nos diversos meios de propaganda, pagos por este povo que faz da moderação e da honestidade um modo de vida. O essencial não é sequer o que se discute na praça pública. O principal, é a podridão de um partido de poder que usa os mecanismos de governação, seja autárquica, seja regional, para sustentar desejos pessoais e lutas partidárias. Nesta matéria, não há uns melhores que outros. Uns e outros, noutros tempos e noutras alturas, estiveram juntos e ratificaram com o seu silêncio ou com a sua efetiva participação, os mesmos mecanismo, as mesmas perseguições os mesmos vis e miseráveis comportamentos. Serviram-se de tudo o que estava ao seu alcance, um e outro. Não é apenas o roto a falar do esfarrapado, é mais do que isso: de um lado um homem gasto, um indivíduo de outro tempo, líder da campanha que conduziu à falência da Madeira, um homem que sabemos quase tudo e que inspira-me a mais objectiva repulsa pelo que fez, pelo que continua a fazer e pelo que significa a sua permanência na governação regional; do outro, um outro homem, mais novo, com estilo diferente, mas igualmente gasto, sem arrojo, primário, oco de profundidade política e de sensibilidade estratégica e, sobretudo, portador dos compromissos do passado, com o seu partido, o mesmo do outro, com os mesmas pessoas, defensor de uma partilha de intimidades perigosas e perversas, incapaz de se descolar do status quo que ele próprio criou, com o outro, o seu adversário, sempre em franco conluio. Não falamos de projetos diferentes, bem pelo contrário. Os militantes do PSD estão em eleições e debatem o estilo, não os métodos, esses são iguais; debatem a idade, não a profundidade estratégica, essa é igual (inexistente) para um e para outro; debatem a mudança de pessoa, não a mudança da Madeira, com um e com outro dificilmente a Madeira muda; debatem a dimensão do desgaste pessoal e a capacidade de vencer eleições, não a necessidade do sentido de estado e responsabilidade, nem um nem outro é genuíno portador desse perfil. Mais. Um e outro não dão nenhuma garantia de um combate sem tréguas à corrupção e à falta de transparência (na autarquia do Funchal e no Governo, os episódios não desmentem este facto); um e outro não asseguram o desafio de restabelecer os mecanismos de uma sociedade com mais democracia (qualquer um deles recusou sempre participar em debates com os adversários). Enfim, pela primeira vez o PSD tem dois candidatos à liderança do partido. É um sinal dos tempos, mas é só isso, de resto só muda (?) as moscas....
Carlos Pereira, Líder parlamentar do PS-M