Os aniversários têm destas coisas! Permitem-nos olhar para “o nosso umbigo”, dão-nos alguma tolerância para falarmos da nossa casa e das nossas ‘vaidades’, expormos as nossas mágoas, denunciarmos os entraves que nos colocam, arrogarmos que este jornal vai continuar o seu caminho. Vamos por partes. Primeiro as ‘vaidades’: os que aqui trabalham sentem-se naturalmente orgulhosos por aqui chegarem, prontos a entrar no ano 137.º de actividade ininterrupta. Somos um jornal pequenito, regional, e assim continuaremos a ser. Mas isso não significa falta de ambição ou medo dos desafios. Bem pelo contrário, é mesmo com justificada vaidade que nos apresentamos como um jornal moderno, que adoptou no tempo certo todas as tecnologias disponíveis, que soube dar os passos adequados a cada época. Quem percebe das novas medições de audiências sabe que o DIÁRIO só pode orgulhar-se dos impressionantes números de ‘pageviews’, de visitas e de visitantes únicos ao ‘site’ do nosso jornal. E que dizer também do impressionante número de notícias comentadas, ou de comentários a comentários, com todos os defeitos e virtudes que esta interactividade desperta? Uma nova dinâmica, já consubstanciada, na peugada do que já acontecera – e continua a acontecer – com a tradicional edição impressa. Haverá algo que tenha ocorrido e que não tenha passado pelas páginas do DIÁRIO? Não, seguramente não. Apesar destas performances, todas facilmente comprováveis, somos e vamos continuar a ser um pequeno jornal regional, dedicado inteiramente à nossa Região Autónoma e a tudo o que diga respeito, directa ou indirectamente, a qualquer madeirense, esteja ele onde estiver nesta aldeia global com cada vez menos distâncias. Pode parecer demasiada presunção, mas considero que, no cômputo geral das virtudes e dos defeitos, que também temos, o DIÁRIO desempenha o seu papel com distinção. Uma constatação que nos compromete a prosseguir na procura da perfeição e de um serviço cada vez mais dedicado ao público leitor. Para continuarmos a ter a importância que temos na sociedade madeirense, serão necessárias duas coisas essenciais: que todos os profissionais desta casa continuem a ‘fazer pela vida’, a inventar soluções e alternativas para esta conjuntura de crise, sempre centrados no único objectivo que é informar; que os factores que distorcem o mercado dos jornais nesta Região Autónoma sejam rapidamente anulados. Faz parte da essência informativa causar incómodos ao Poder, quando se noticia com verdade aquilo que o Poder não deveria fazer. Esta dialética sempre foi e continuará a ser delicada, mas tende a piorar se quem detém as rédeas desse Poder continuar a perder o discernimento, e até a vergonha, na sua estratégia que não visa governar melhor, mas tão somente evitar que as suas falcatruas cheguem ao conhecimento público. E quando se é Governo há muito tempo, a tendência é perder a noção do ridículo ao exigir uma certa inimputabilidade. Esta dificuldade de convivência entre governantes e jornais que cumprem a sua função repete-se em várias partes do mundo. Na Madeira, o caso é mais complicado pela longevidade do poder absoluto e pela descarada utilização dos parcos recursos públicos para projectos pessoais de combate ao jornalismo sério. Qualquer madeirense já percebeu que o presidente da ilha desvia 4 milhões de euros por ano para brincar ao “seu” jornal, que nem sequer é para servir o seu partido ou o seu governo, mas apenas para relevar ou achincalhar aqueles que, na sua lógica e critérios doentios, são “bons” ou “maus”. E como um produto assim vale zero, o nosso presidente impinge-o de borla e com grandes tiragens que se perdem espalhadas por aí. Um “gestor” destes devia ser chamado a contas à Justiça, pelo roubo diário aos contribuintes, os mesmos que passaram a pagar tudo – saúde, educação, impostos a triplicar –, mas também pelos danos propositadamente causados a um outro jornal, que diariamente tem de encontrar forma de financiar a sua actividade: informar os madeirenses com verdade e com profissionalismo. E é por entre estas sensações contraditórias – o orgulho de continuarmos a fazer um produto que é apreciado e procurado por milhares de madeirenses, e a mágoa de vermos esse trabalho prejudicado por um líder que deveria ser responsável – que assinalamos mais um aniversário, aqui no DIÁRIO. Depois dos festejos curtos e comedidos, regressamos já amanhã para continuarmos com a nossa missão de informar. Do resto, que tratem os madeirenses com os mecanismos de que dispõem. E que estão mesmo à mão de semear...