É hábito deveras reconhecido, existir convívio entre a "raça" humana e outras "raças" de animais! Tradicionalmente - com diferentes objectivos - este convívio acontece desde há dezenas de milhares de anos, por motivos diversos, onde a iniciação dessa relação de convívio, se dirigia fundamentalmente para os animais com utilização laboral, como sejam o cavalo, o camelo, o gado bovino e outros quadrúpedes que aqui podia enumerar. Antes desta fase, antes deste início de real convívio, de cooperação e interesses, o homem encontrava em alguns animais, uma excelente fonte alimentar e de outros sustentos, com uma inesgotável utilização dos seus componentes, algo diferentes, de acordo com os diferentes tipos de animais em questão. Uns davam leite e carne, outros carne e ovos, outros, a pele para agasalhos ... e por aí adiante. O cão, cuja história prova, possuir uma relação amistosa e de intensa cooperação com o homem - seguramente há milhares de anos - é um exemplo de inquestionável fidelidade e de convivência salutar entre as duas "raças": a humana e a animal. Foi o cão - com a sua imensa capacidade organizativa e inteligência - quem ajudou, desde muito cedo na história da humanidade, a transformação de alguns animais selvagens, em animais domésticos, fazendo nascer actividades como a pastorícia e mais tarde a pecuária. Assim, desde tempos muito remotos, a nossa espécie, convive com outras, pensando na alimentação, pensando no trabalho agrícola e á custa desse livre pensamento, durante muitas épocas, alguns animais ganharam o seu reconhecido espaço como "filhos" da nossa casa e merecidamente tratados como tal. E o tradicionalíssimo amigo do homem é o cão! O amigo da mulher será mais o gato ... ou então um cão, se tiver mais ou menos o tamanho dum gato! Mas podem ter outros animais como amigos: o canário, o periquito, o roedor hamster, o papagaio ...! No Oriente são os galináceos! Estes são gostos que nem se comentam ou discutem! Do gato não temos ouvido quaisquer queixas! É um animal selvagem, de sua natureza, mais tarde adaptado ao ambiente urbano e à convivência permanente com humanos, nos seus diversos habitats - não se esquivando em fazer as suas divagações diárias ou semanais , pelo seu factor genético, como ser eminentemente selvagem e independente. Provoca algum respeito e reserva nas pessoas, porque existe algum receio duma atitude inesperada, ... selvática, primária. Ao contrário, dos cães temos sabido de muitas queixas, e não passa uma semana que não se oiça ou leia a notícia dum descalabro provocado por um cão, de uma daquelas raças classificadas ou rotuladas, de raças caninas perigosas. Quando o melhor amigo do homem, ataca o homem, só pode ser por culpa do próprio homem - confirma-se esta conclusão! Aparecem notícias de autêntico terror urbano tipo - "Cão ataca e mata a mãe do seu dono"! E depois, no desenvolvimento da notícia lê-se que tinha as licenças e os procedimentos todos em dia. O que terá falhado afinal? Estamos a viver num Jardim Zoológico Doméstico, sem grades, tabuletas e outras sinaléticas, com o perigo eminentemente á espreita se houver um bicho "mal comportado" por perto? Afinal, ficamos mais seguros dentro do próprio Zoo, onde tudo está controlado e etiquetado, de modo não haver dissabores e até permitir algumas distrações! Curiosamente, reparo, que algumas raças de cães, mais corpulentas e possantes, rácicamente agressivos - porque foram programados para o serem - são passeados pelos seus donos sem as devidas proteçoes - por exemplo um açaime - sendo exibidos na via pública como exemplos raros de domínio, dum feroz animal por um dócil gentil-homem. Será que esses donos sabem mesmo educar esses seus cães? Se chegámos ao extremo ponto do cão matar pessoas - da família - dentro das suas próprias casas, alguma coisa alguma coisa teremos de fazer e nunca será menos do que chamar o psiquiatra e o psicólogo animal, para tentar decifrar este desfecho fatal e prevenir outros futuros. Eu pensava que os animais eram nossos amigos! Mas se não são, onde afinal me enganei?
José Manuel Ramos