Depois de um Natal com uma mesa menos farta do que é habitual, muito por culpa do corte nos subsídios, foram anunciadas as primeiras medidas de austeridade para a Madeira. Um presente indesejável mas que já era esperado. Aos primeiros minutos de 2012 percebemos que não seria ano de grandes festejos, o próprio fogo-de-artifício foi alvo de um corte, quer no tempo que demorou, quer no final apoteótico que lhe é característico. A crise chegou aos típicos desejos de ano novo: aqueles que pediam um carro novo, passaram a desejar conseguir pagar a prestação do actual e os que pediam um melhor emprego, passaram a desejar manter aquele que têm. Contudo, há um desejo que é comum e que se manteve: ter saúde. E é isso que se deseja ao nosso País, que tenha saúde e consiga sair o mais rapidamente possível da sua débil condição económica e financeira para que os respectivos impactos sociais sejam minimizados. Com o evoluir da actual conjuntura económica, cada vez mais adversa, passamos do bem conhecido "apertar o cinto" para um autêntico "garrote". Com cada vez menos rendimentos disponíveis, as pessoas começam a sentir grandes dificuldades em sobreviver até ao final do mês. Os nossos governantes deixaram fugir a boca para a verdade e deram o mote: emigrem! Quem aceitou recentemente a sugestão foram os donos do Pingo Doce, afinal parece que o slogan "sabe bem pagar tão pouco" também se aplica aos impostos. Infelizmente, este não é um caso isolado e a própria zona franca da Madeira, que perdeu inúmeros benefícios no início de 2012, está a assistir à partida de muitas empresas, entre elas a Caixa Geral de Depósitos. São decisões que não surpreendem, qualquer contribuinte racional, seja empresa ou individual, procura formas de pagar menos impostos. Do mesmo modo, também não será surpreendente que várias empresas sigam o mesmo caminho que terá como principal impacto uma diminuição de receita fiscal para os cofres do estado. Facto que a acontecer só poderá ter uma consequência, o aumento de impostos para os que ficam. Se já não existiam muitas dúvidas acerca das dificuldades que 2012 iria trazer, esta quadra festiva veio confirmar que este ano… saiu-nos a fava.

Pedro Nunes, Economista