Intervenho na política madeirense há dez anos. Iniciei justamente na campanha para as eleições legislativas nacionais de Março de 2002. Para o bem e para o mal tenho uma observação da sociedade, da economia e da política madeirenses mais distanciada do que muitos. Tem vantagens e tem inconvenientes… Assisti durante todos estes anos aos erros crassos de política económica. E denunciei. Está escrito. Vi em particular uma sobrevalorização das 'obras públicas' e dos trabalhos de infraestruturação e o desprezo pelo capital humano e pelo tecido produtivo. Assisti à degradação gradual do sector vital, o turismo. E não vi aparecer qualquer alternativa empresarial séria. Vi falta de estratégia na governação. Denunciei a falta de sustentabilidade das apostas públicas. E o sobreendividamento. O resultado de políticas públicas continuadamente erradas ou pouco certeiras só poderia ser um desastre. E não me dá particular gozo poder dizer que 'tinha razão'. Pelo contrário, sofrerei com todos os meus conterrâneos com os erros de alguns. E, no meu caso, nunca votei neles… Neste percurso para o desastre, este regime 'jardinista' consolidou-se politicamente. Tornou-se imbatível pela ramificação poderosa de interesses e pela estruturação de uma rede de poder que vai dos caciques locais às organizações da sociedade - das empresas ao associativismo, do desporto à igreja, das casas do povo ao folclore… E uma capacidade de manipulação notável. Há muito que considero que este regime só cairia por duas vias: pela justiça ou pela sua implosão. Da Justiça já se percebeu que pouco virá. Só uma investigação muito séria permitiria compreender os meandros do poder e julgar. Não é esse o traço da justiça portuguesa. A implosão do regime é mais provável. Está a acontecer, com estrondo. A cada dia que passa veremos membros proeminentes do regime a declarar a sua autonomia. Veremos agendas próprias afirmadas na praça pública. É o princípio do fim. O que se segue é uma enorme incógnita. O que é certo é que será duro para as classes médias e para o povo em geral.

Maximiano Martins, Deputado do PS-M