Chegámos então a 2012, provavelmente um dos anos menos desejados por todos os portugueses. Na Madeira, uma série de medidas ameaça a tranquilidade típica da ilha. O aumento do IVA, do tarifário dos transportes públicos, das taxas do ISP e suspensão dos subsídios de Natal e de férias são todos factores de insatisfação pública que podem fazer com que a situação social siga por um caminho irreversível e que o tal fosso entre as várias classes se torne proeminente. O nosso sempre muito interventivo Presidente da República, Cavaco Silva, acha que "chegámos a uma situação explosiva". Desagrada-me em não concordar com o nosso líder de estado. A situação explosiva que fala ainda não chegou. Só agora é que as medidas serão aplicadas severamente e só agora é que as pessoas vão ter a noção do que aí vem: um enorme desafio de superação a nível pessoal e social. Esse é o principal desafio este ano, conseguir viver num país movido por um chicote financeiro dominado pela Troika. Na passagem do 2011 para 2012 (estranhamente em São Gonçalo, deflagrou um incêndio ao lado dos números, não sei se isso quer dizer alguma coisa em relação ao ano novo, esperemos um bom presságio) e com o fogo-de-artifício a brilhar lá no céu, sentimentos contraditórios atacaram-me o pensamento. Sentimentos de orgulho nacional, pelo sempre bonito espectáculo que é a passagem de ano, e de claustrofobia lusitana, pelo longo ano que aí vem. Um feliz ano novo.
Rúben Castro, Colaborador da Associação Académica da UMa