Nas alvoradas de 2012, acordámos com o eco dos últimos foguetes. Assombrados pelas más certezas, olhamos aquela velha mala de cartão de Linda de Suza, assim como aqueles sacos de dois cêntimos que trouxemos mais magros do supermercado, para a consoada do Ano Velho. As passas d'uvas que saudaram receosamente o Ano Novo, jazem inertes no chão com os estilhaços da autonomia. A emigração espreita no horizonte, sugerida por quem supostamente elegemos para melhorar o futuro. Chegará porém a hora, para fazer a trouxa dos poucos pertences, e fazer-se à vida, à medida que as colunas de desempregados marcharem esfomeadas, com restos do último porco no salgueiro. Nos limites da minha ilha - outrora autonómica - a marcha não pode ser longa, sob o risco de nos precipitarmos num aterro, ou ficarmos reféns, numa marina sem saída. Até para emigrar, os insulares encontram dificuldades acrescidas, que a somar às exorbitantes tarifas aéreas, nem temos disponível agora, um substituto "lobo-do-mar". Esta ânsia de sair foi sempre comum aos ilhéus. Emigrámos com Salazar enquanto ele nos obstaculizava as saídas. Mas iremos emigrar com o fomento da "incíclica geração" Coelho/Portas. Porém, aqui no nosso "jardim" plantados, à distância de 1% de IVA do continente, vamos contemplando a natureza e espectáculos que restam, tal como aquele deslumbrado inquilino do palácio republicano, que saliva por um cortejo turístico, sem barrete de orelhas. Com barretes enfiados, há largos milhares de cabeças aqui, desde o passado 5 de Junho ao recente 9 de Outubro, isto, para não recuarmos muito nos jantares e boleias gratuitas, até à mesa de voto. O ano de 2012 há-de ser "tão bom quanto possível". Palavra de Presidente que lá sabe o que promulga. Outros "queridos líderes" nem piam, e engolindo o sapo, assinam.

Donato Macedo, Licenciado em CCO