Acertado que está o plano de resgate para a Madeira, que vai tornar a vida dos madeirenses insuportável, quase não apetece falar nos problemas do desporto na Madeira. Mas, um facto é que eles existem e de uma forma acentuada, e, neste espaço, é deles que vamos falar. Os mais velhos lembrar-se-ão certamente de que forma existia desporto na Madeira antes do 25 de Abril de 1974. A prática desportiva assentava basicamente no plano regional, pouco organizado e puramente amador, consubstanciado fundamentalmente no futebol. Reduzia-se assim ao curto espaço insular com esporádicas participações nacionais, vedadas aos desportistas madeirenses, com parcas excepções, quase resumindo-se às presenças das equipas de futebol na Taça de Portugal. Ainda antes da aurora do 25 de Abril, que trouxe as liberdades a Portugal e a autonomia à Madeira, o Marítimo, contra ventos e marés, rompeu as correntes que o amarravam à região e aventurou-se no plano nacional. As liberdades e direitos consagrados, entretanto, com a conquista da autonomia, permitiu acabar com a chamada descontinuidade continental e tornar igual os direitos de todas as equipas madeirenses, em todas as modalidades, participarem no todo nacional. Permitiu-se desenvolver e massificar o desporto, no plano das modalidades colectivas e no aspecto das individuais, ainda nas infra-estruturas, formaram-se atletas olímpicos, enfim, o desporto cresceu exponencialmente, tal como a Região. Mas, tal como a região, o novo-riquismo tomou conta dos espíritos e nunca, em devido tempo, surgiu o tão desejado critério para qualificar o que, realmente, era importante ter participação nacional. Não são conhecidas as medidas para o desporto ou se as há. O que se sabe é que os clubes definham, os problemas agudizam-se e os responsáveis assobiam para o ar. Estou convicto - e oxalá estivesse errado - que a maioria os clubes envolvidos nas participações nacionais vão voltar às origens, se não mesmo, em alguns casos, transformados em cinzas. Nomeadamente aqueles sem expressão local ou histórica. O futebol profissional nas equipas madeirenses trava uma batalha dura pela sobrevivência. Conseguirá sobreviver? É caso para dizer, num regresso perspectivado à Madeira Velha, Quo Vadis desporto regional? PS: No meio desta desgraça colectiva, valha-nos a prestação brilhante do Marítimo esta temporada, a colocar um pouco de elixir nos nossos espíritos. E, em tempo de vacas magras, tinha piada um pleno Marítimo Europeu e um Nacional no Jamor. Ufa!

Emanuel Rosa, Repórter