Com este título, deixo, como é hábito, algumas linhas para análise. A ver se faço sentido... o aprofundamento sistémico da crise, transportando-o para linguagem televisiva é colocado num plano de catástrofe em câmara lenta. É uma máquina descontrolada que gera um aprofundamento de desigualdades e um caos no próprio funcionamento do sistema. Na fase inicial desta crise, da transferência de recursos públicos para o sistema especulativo nacional/internacional, houve colaboração do(s) país(es), e era compreensível pois eram todos movidos pelas mesmas pressões. Nesta segunda fase, de reparar o(s) buraco(s) no(s) orçamento(s) público(s) e transferi-lo(s) para as populações, a ideia geral é de cada um se "desenrascar" debaixo da batuta dura da troika,numa selvática lei do mais forte. Nós, como região pequena e de escassos recursos, habituada durante algumas décadas a uma perigosa subsidiodependência, pagamos dia após dia, a factura pesada de um legado sem pai responsável. Resta-nos alguma solidariedade quase que paternalista de alguns estadistas, que na prática pouco ou nada podem fazer e a esperança de num futuro próximo, quando a oportunidade surgir, sim... porque vai surgir, corrigirmos comportamentos para que nunca mais nos coloquemos como um todo nesta posição crítica.

Carlos Pestana, Chefe dos Serviços Antena 1 e Antena 3 Madeira