Nenhum madeirense, ainda que indiretamente, poderá dizer que não é (ou será, a confirmar-se) afetado pela saída do operador Naviera Armas das ligações marítimas entre Funchal e Portimão. Pessoalmente nunca usufrui diretamente do serviço deste navio, mas a sua contribuição para a Economia regional é inegável: viagens mais baratas para o Continente e bens transportados em menor tempo e a mais baixo custo para os madeirenses. Mesmo não deixando de defender uma concorrência sã em mercado livre e aberto, esta é a oportunidade que as autoridades regionais têm para intervir no mercado em prol do consumidor. Existem diversas formas de o fazer: redução ou isenção de encargos fiscais, subsídios, compensações indeminizatórias, ou outros "apoios" que não choquem com a legislação nacional e comunitária. Em causa está o fato do Estado, na Madeira, intervir na Economia em favor dos cidadãos. É para isso que serve o dinheiro dos contribuintes: ajustar o mercado às necessidades dos consumidores. Sendo a Região um mercado reduzido onde jamais terá grande concorrência (muitos operadores) no transporte marítimo ou aéreo, é tempo do Governo intervir para compensar desajustamentos e oligopólios. Cada euro das finanças públicas gasto nestes setores terá um impato propulsor na Economia regional com ganhos diretos para todos os consumidores. A mim não me choca, a nível nacional, que o Estado gaste milhões com a CP, desde que esta empresa seja gerida com racionalidade, porque presta um verdadeiro serviço de transporte aos cidadãos. Deste modo, parece claro que qualquer verba empenhada nesta área é bem mais benéfica para a Economia regional (que serve os cidadãos), do que um infindável conjunto de despesas e subsídios absolutamente inúteis que o Governo Regional tem atribuído e que este espaço seria escasso para os enumerar a todos.

Luís Sena Lino, Consultor de Marketing e Comunicação