Luis Gomes Quem gasta o dinheiro que não tem, recorrendo a empréstimos que sabe não poder pagar, é, no mínimo, irresponsável. Um governo que nos endivida muito para além do razoável, apresenta sucessivos orçamentos que deliberadamente não respeita e esconde esse endividamento das autoridades de supervisão e de todos os cidadãos que o terão que pagar, age de forma inqualificável! Infelizmente, poucos ou nenhuns titulares de cargos públicos são responsabilizados pelas consequências de atos no exercício dessas funções, e, com esta impunidade, o país está como sabemos, mas, ninguém é responsável! Já os governados não têm como escapar às consequências da má governação e são castigados com brutais aumentos de impostos, desemprego, emigração, etc.. Esta disparidade tem constituído uma verdadeira tentação para quem governa e um "convite" à realização de obras sem olhar ao custo, daquelas que permitem inscrever os respetivos nomes na história de aldeias, vilas e regiões de todo o país e que por acréscimo, ainda ajudam a perpetuar o poder! Em primeiro lugar porque é quase sempre quem vem a seguir a pagar a fatura e depois porque gozam de tantas imunidades que apenas "arriscam" o julgamento democrático que se realiza de quatro em quatro anos, para o qual quanto mais "obra" melhor "sentença"! A Madeira acumulou em dez anos uma dívida de cerca de sete mil milhões de euros que resultou de uma assumida opção pelas obras públicas, algumas de reconhecida importância, outras de duvidosa utilidade e questionável prioridade, quase todas com um custo final muito superior ao orçamentado. O "investimento" que alguns justificam face ao considerável atraso evidenciado pela região, antes e durante o Estado Novo, não nos deixou menos dependentes do exterior, pouco ou nada contribuiu para diversificar a aposta e o desenvolvimento de diferentes setores de atividade económica, não fortaleceu nem tornou mais competitivas as nossas empresas, não dinamizou a criação de emprego e muito menos nos preparou para resistir aos efeitos de uma crise como a que atravessamos. Pelo contrário, fragilizou-nos, porque originou uma imensa dívida que nos impõem ter que pagar em circunstâncias muito difíceis, tornando ainda mais penosos os sacrifícios exigidos aos madeirenses. Pensariam não ter que pagar aos credores, contavam com os depósitos do Kadafi, como sugeriu o Coelho mais ridículo desta terra, ou, tratou-se apenas de um erro estratégico grave, porque originou um endividamento descontrolado e nos tornou insolventes, realidade que agravaram com a "esperteza" de o esconder e negar até ao limite, comprometendo irremediavelmente a capacidade negocial e condições para uma eventual solidariedade da República? Nem os já habituais inimigos da autonomia, sejam cubanos, defensores da Madeira velha ou da Trilateral, permitem esconder os verdadeiros responsáveis pela situação que vivemos. E porque quem deve o que não pode pagar fica mais pobre e absolutamente dependente da vontade dos seus credores, conclui-se que os verdadeiros "inimigos da autonomia" são os que nos conduziram a esta situação e à necessidade de "assistência financeira"!! É bom não o esquecer, agora que não temos comparticipações para as consultas e começamos a pagar mais caras as compras do supermercado, os combustíveis, os transportes, temos impostos equiparados ao resto do país …, e, desta vez sem direito a "espetada" e "vinho seco"! Sem mais!