José Manuel da Silva Gomes É frequente, nesta fase de grandes dificuldades, que o cidadão comum interprete o investimento nos certames como um desperdício de dinheiro. No entanto, quando falamos em certames de índole agrícola (ex: Exposição da Anona, Festas da Castanha, do Pêro, Cereja), religiosa (ex: Nª Srª Monte, Sto Amaro, Bom Jesus da Ponta Delgada), turística (ex: Festas de Fim de ano, da Flor), entre outros, falamos de oportunidades de negócios para pessoas ligadas às artes, cultura, hotelaria e turismo, para feirantes ambulantes, agricultores e comércio local e geral e mesmo para os municípios através do pagamento das respetivas licenças. Ou seja, cada certame espoleta uma dinamização económica a nível local que em muitos casos representa o pico anual de atividade sem o qual a economia local e os cidadãos iriam seguramente se ressentir. Estes eventos, compõem o leque de oferta do produto "Madeira" disponibilizado às populações e aos turistas que nos visitam ao longo dos doze meses do ano, facultando oportunidades enriquecedoras de negócio e de lazer, permitindo a participação de um vasto número de cidadãos (artistas, escolas, centros de dia, grupos de animação, agricultores, entre outros), consistindo num fator importante de mobilização com efeitos ao nível do bem-estar coletivo e no estado de alma das populações, que não é quantificável, a ser, seguramente não haveriam duvidas relativamente á sua importância. Relembramos que os certames/festividades, são matéria-prima para as agências de viagens, turísticas e de atividades de transporte. Dão a conhecer diferentes locais, suas belezas, os diferentes produtos agrícolas frescos e transformados, a gastronomia local e permitem manter viva uma cultura intergeracional local, com a manutenção dos seus usos, costumes, ao mesmo tempo que se abrem novas oportunidades de negócio. Os certames promovem a proximidade das instituições públicas, privadas e as populações, daí também o papel de valorização e importância política, pois permitem a troca de informação, a discussão das necessidades e dos projetos locais e o intercâmbio de ideias na procura de soluções para os problemas que afetam as populações, permitindo também através da divulgação da comunicação social, dar a conhecer o que melhor se faz em cada local e divulgar as modernas técnicas de produção, atendendo às necessidades cada vez mais exigentes no mercado regional e exterior (competitividade para expedição/exportação). Resumindo e concluindo, os certames têm não uma importância estreita, como muitas pessoas pensam, mas uma importância nos dias de hoje bastante ampla, que abrange os sectores comercial, social, cultural, político e económico. A sua importância é equiparada a de outros sectores ou atividades que se realizam na nossa Região, pelo que o futuro deverá passar pela reorganização dos eventos, procurando maximizar as suas mais-valias, sem se perder a qualidade habitual, sendo necessária mais criatividade e imaginação, onde felizmente temos tido bons exemplos. O aproveitamento dos recursos financeiros escassos terá que ser criterioso e eficaz e dever-se-á procurar sinergias entre iniciativas que possam ser realizadas conjuntamente, ou de forma rotativa, até com efeitos multiplicadores e com economias de escala. Por outro lado é imprescindível uma calendarização dos certames que permita não haver sobreposição dos mesmos, situação que não interessa a nenhum promotor.