Juvenal Pereira -Senhora, por gentileza, dê uma esmolinha para um homem que já não ganha para a despesa. - Oh, senhor, tenha pudor. Não deve estar a bater bem da "bola"…por essa razão 80% da população andava a pedir esmola! - Coitadinho! Mãe dá uma esmolinha aquele pobrezinho. - Não tenhas pena, filho, também por culpa dele é que andamos metidos num sarilho. -Meus senhores, por gentileza, dêem uma esmolinha a um homem que já não ganha para a despesa. - Compreendo a sua situação, mas tenha paciência, a coisa está preta que nem um tição. - Senhoras, por gentileza, dêem uma esmolinha a um homem que já não ganha para a despesa. - Já olhaste o pobrezinho, minha amiga, tem cara de pessoa conhecida. - Tu conheces, já foi gerente e agora é presidente duma empresa falida. - Coitado, então deve ser por isso que anda lixado. - Não tem que se lamentar. Enquanto a empresa esteve no "ar" também não se esquivou de gastar e de dar a m…. a ganhar. - Não me digas que… - Foi este senhor que se rodeou de uns certos amigos que por onde andaram deixaram os negócios falidos, mas eles podres de ricos. - Então, se está nesta aflição, vá com eles para lhes deitar a mão. - Menino, menino, diga à sua mãezinha, por gentileza, que dê uma esmolinha a este pobrezinho que já não ganha para a despesa. - Eu sou novo, mas não sou parvo. Vejo que o Sr. tem cara de ser um privilegiado. - Santo Deus, nem sei o que digo, nem o que penso, já nem as crianças convenço. Oh, meu senhor, por favor, dê uma esmolinha a este pobre coitado, a quem já não lhe chegam as várias pensões de reformado. - Meu amigo, desculpe que lhe diga, mas o Sr. é uma pessoa ainda nova, com genica. Porque não emigra? Pode ser melhor para si. Quem sabe se no resto da Europa, no Brasil ou em Angola, mesmo a pedir esmola, não viva melhor do que vive aqui? -Ainda não tinha pensado nessa situação, mas acho que o Sr. tem razão. - Mas como eu gosto de ver na vida todos os meus conterrâneos bens instalados, quando for, não vá sozinho, leve consigo todos os seus amigos (e até os inimigos) pobres… coitados! -Muito obrigado. -Não tem de quê. Não sabe o quanto ficaríamos aliviados, por sabermos que estavam à distancia, governados e sem desejos de voltarem mais a estes lados. - Mais uma vez, muito obrigado.