Neste momento que se está a viver em Portugal, e particularmente na Madeira, há um número muito significativo de pessoas, em termos de quantidade, que apresentam as suas sugestões, leitura disto e daquilo, lembram-se que foram feitas coisas há 5 ou 10 anos que, talvez (!!) não devessem ter sido feitas, etc. É evidente que sejam os governantes, os empresários, gestores, professores, etc todos devem fazer uma leitura analítica daquilo que foi feito, se foi bem feito e, com as mudanças estratégicas locais, nacionais e internacionais, o que se deve começar a fazer para atingir novos objectivos. As crises são péssimas para certas e determinadas coisas. Mas sem uma leitura social - ou seja, dos graves problemas sociais que influenciam negativamente os menos apoiados económica e financeiramente - eu adianto que a crise é um momento particular para "acordar" muita outra gente. Todos nós sabemos, mas são muito poucos os que o fazem, que aplicar o princípio de que, mesmo no período de grande benefício económico, quando estamos bem lá em cima na obtenção de resultados, já temos de pensar o que devia ser feito, e fazer, quando o sistema de grandes resultados começar a ser influenciado negativamente. Evidentemente que há pessoas que estão concentradas nas suas funções - 3 anos, 4 anos - sejam administradores ou Gestores Públicos e privados, sejam políticos. Porque alguns deles querem é que lhes seja feito e dito, leitura bem positiva do que estão a fazer nos anos n ou n+1 ou + 2, mas sem a consciência daquilo que está a ser feito para as novas gerações. Não vou fazer comentários. E isto que estou a escrever não é uma observação ao Senhor A ou à Senhora B, a esta ou àquela entidade responsável pelo sector C ou D. São realidades que devem ser analisadas. E por isso sugiro a V. leitura. 1. Os Açores não são um grande exemplo em termos de Turismo, mesmo a nível nacional. O Turismo dos Açores não tem um "peso" tão significativo no PIB regional como o nosso aqui na Madeira. Mas o Presidente da Assembleia Geral do Turismo dos Açores promoveu uma A.G. ordinária da A.T.A. para o dia 5 de Janeiro no sentido de "O presente plano de Actividades e correspondente orçamento são elaborados no âmbito das funções de promoção do destino Açores nos mercados designados como prioritários, atribuídos à Associação do Turismo dos Açores". Sendo que "as quotas dos associados representam uma receita estimada de 65.400 euros, o contrato programa com a Secretaria Regional da Economia terá um valor estimado de 6.750.000 Euros. Não vou dar mais exemplos - importantes - por limitação de caracteres, mas é significativo saber o que é feito nas Ilhas Canárias. 2. Logo após as eleições em Espanha, o PP apresentou 10 medidas para o Turismo. Para este partido (que, na minha opinião, não interessa saber se é de centro-direita ou centro-esquerda), dito pelo próprio vencedor das eleições, o turismo "é um factor chave na projecção exterior de Espanha e uma valorização do património natural, histórico e cultural espanhol." Se bem que alguns jornais também tenham acrescentado que seja o PSOE, seja o próprio PP também tenham falado pouco de turismo! Mas, depois, o PP apresentou 10 propostas que passo a referenciar: • Plano Integral de Turismo • Simplificação da legislação • Melhoramento do tratamento fiscal • Aceleração do Plano Turismo 2020 • Reconversão integral das zonas turísticas • Desenvolvimento tecnológico • Desenvolvimento, em colaboração com o sector privado, de planos específicos de promoção das formas de turismo • Melhoria dos trâmites dos Consulados nos países potencialmente emissores de turistas • Potencialização da imagem de Espanha como destino turístico de qualidade • Incremento da percepção da segurança. 3. O Decreto Legislativo Regional n.º 17/2002/M aprova o Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma da Madeira. Ficou conhecido como POT. Porquê o POT? " … sentiu o Governo Regional a necessidade de criar mecanismos de gestão das estratégias e políticas a adoptar em tal domínio". Nessa época eu era Presidente da Mesa de Hotelaria da ACIF. Fui contactado duas ou três vezes e apresentei as minhas modestas opiniões. Como outras pessoas do sector privado relacionadas com o turismo. O POT serviu de alguma coisa? Sim, foram feitas algumas coisas. Mas muitas outras ainda estão por fazer. Mas já não devem ser feitas porque a situação é diferente. A filosofia adjacente a este POT atingiu certos comportamentos e ideias? Repito. Não vou fazer comentários, porque até não são necessários! Que só servem de troca de opiniões em defesa de "certos princípios". Mas acrescentaria e concluiria. A) Os POTs não devem ficar na gaveta das pessoas. B) E lembro o artigo 21.º do DLR 17/2002/M: "O POT vigorará por um período de 10 anos a partir da sua publicação." O POT 2 terá de ser bem diferente do POT 1. Um POT 2 é importante para um sector que na Região vai passar a representar mais de 40%, porque os outros sectores vão, infelizmente, ter um menor "peso" percentual no Produto Interno. É por isso que reconheço a importância de que não nos concentremos só em como vamos pagar. É fundamental saber o que é que podemos criar e como vamos receber.

Luigi Valle