Durante anos, usou-se e abusou-se de uma estratégia de "engenharia financeira" que simulou a realização de dinheiro, disfarçando a negligência e a má gestão dos governos, através da venda do que era do Estado. Os sucessivos governos do PS, PSD e CDS utilizaram o método de colocar empresas de sectores estratégicos nas mãos de gestores, que muito bem pagos pelo próprio Estado, trataram de as desbaratar, fazendo-as cair na agonia do desgoverno, criando a convicção de que não há capacidade de o sector público para as poder manter. Depois, foi só avançar com a sua venda. Isto resultou, porque quem esteve e está no poder, quem nomeou os gestores, os próprios gestores e quem se habilitou a comprar o que é de todos nós, foram e são as mesmas pessoas. Na Madeira, as opções são, exactamente, iguais. Há muito que o que é de todos nós, pago com os nossos impostos e com empréstimos que nos dão como fiadores, foi posto nas mãos daqueles que se encarregaram de enterrar as empresas do chamado sector empresarial regional. Enterraram e delapidaram património, prestaram mau serviço de propósito para agora justificar a sua venda, a preço de saldo, aos amigos do regime. Esta forma criminosa de tratar o que é de todos é responsável pela crise actual. Dizer que a solução é vender, é continuar a enganar e roubar os madeirenses, porque a privatização só conhece uma solução: despedir, precarizar, desregular a prestação de serviços e aumentar preços. Com a privatização, só os novos donos lucram, explorando quem não pode prescindir da utilização dos bens e serviços que fornecem. Já não podemos ter ilusões acerca da privatização; a História recente mostra que não há moral na busca do lucro e que só o princípio do bem comum orienta o que garante estabilidade, bem-estar e segurança aos cidadãos.

Isabel Cardoso - Professora