Estamos uma vez mais no início de um ano e novamente assiste-se e especula-se sobre como serão geridas as atividades que fazem parte do panorama cultural da nossa ilha. Não mudará muito, pois a forma de pensar e de agir de quem diz tutelar esta área continua a ser a mesma de há muitos anos atrás, quer do ponto de vista da captação de recursos financeiros que ao longo dos anos têm vindo a escassear, quer fruto de uma falta de melhor gestão na distribuição de apoios que deveriam ser concedidos a título de distinção | incentivo nas diferentes áreas culturais e não por uma ou outra qualquer justificação injustificada. A exceção vai para um conjunto de festivais que foram objeto de apoio por parte de fundos comunitários em que a instituição responsável pela candidatura foi a Direção que tutela os Assuntos Culturais. No entanto e após aprovação dos mesmos, encaminho-os para uma empresa de gestão cultural privada que acaba por deter os direitos sobre a organização dos mesmos, recebendo para tal e no mínimo os referidos fundos comunitários. Alguns destes Festivais foram e bem organizados internamente por funcionários da referida Direção Regional, com capacidades comprovadas e remunerados pelo erário público, exemplo do Festival Raízes do Atlântico, o Festival de Musica da Madeira ou o Festival de órgãos da Madeira. Não me espanta assim que muitas vezes se coloque em questão a qualidade e qualificação da função pública, pois quem faz este tipo de afirmações não se apercebe que possivelmente a "incompetência" encontra-se num patamar supostamente superior onde são dadas as orientações menos corretas em termos de gestão dos seus recursos Humanos. Naturalmente que desta forma a empresa detentora das responsabilidades de organização dos referidos Festivais tem em suas mãos a árdua tarefa de os produzir de forma profissional e em contrapartida ceder os louvores diretamente ao topo de quem ocupa o cargo da referida instituição pública. Pois ambas as partes necessitam uma da outra para manterem os seus interesses individuais e "contabilísticos". Continuamos assim à espera de um bom e melhor ano no que respeita a eventos culturais de qualidade e de uma melhor gestão na distribuição dos subsídios nesta área. Até lá um bom ano de 2012.

Luís Guilherme de Nóbrega - Professor