Numa altura em que parece que tudo e quase todos estão à espera dos próximos capítulos desta série (leia-se crise financeira), que nunca mais acaba, parece-nos fundamental que a nossa atuação se paute pela prudência e acima de tudo pelo rigor e pela verdade dos factos. Vem isto a propósito, porque, especialmente nos últimos tempos, têm surgido várias afirmações e opiniões sobre a política desportiva regional e particularmente sobre o Ténis de Mesa que não correspondem minimamente à realidade. Na verdade, não sabemos quais são as exatas intenções destas declarações, mas de certeza que não são com o intuito de valorizar o trabalho desenvolvido pelas instituições e de mais agentes desportivos. Dizer que a modalidade de Ténis de Mesa tem muitas equipas nos Campeonatos Nacionais de Seniores sem referir que, por exemplo, na época passada competiram nos Regionais de Equipas Seniores (1ª, 2ª, 3ª e 4ª Divisão Masculina e 1ª Feminina) 58 equipas, não nos parece nada justo. Referir que fruto desta participação os encargos financeiros são muito elevados, sem mencionar que o valor do investimento por atleta no Ténis de Mesa é o mais baixo das modalidades que competem em campeonatos nacionais regulares, não nos parece nada imparcial. Afirmar que existem muitos estrangeiros (leia-se chineses) na modalidade, sem nunca terem visto um único encontro de Ténis de Mesa e sem terem colocado os pés num pavilhão para presenciar um Torneio Aberto, que habitualmente conta com cerca de 200 atletas madeirenses e entre 1 a 5 atletas de fora da região, não nos parece nada correto. Por fim, dizer que Portugal nas modalidades, ditas amadoras, no panorama internacional está muito fragilizado, sem, por exemplo, destacar que a seleção portuguesa de Ténis de Mesa no último Campeonato da Europa de Seniores, que contou com a prestação de três madeirenses (Marcos Freitas, Énio Mendes e Ricardo Faria), conquistou a medalha de bronze e que no ranking mundial ocupa a honrosa 8º posição, é no mínimo surpreendente, isto para não dizer mais nada! Enfim, com esta constante falta de rigor muito dificilmente vamos ultrapassar as adversidades com dignidade.
Juan Gonçalves, Presidente da ATMM