Quem terá metido na cabeça do homem esta ideia peregrina de que empobrecendo é que o país vai viver melhor? Racionalizar despesas é uma coisa destruir a fonte de receitas é outra. Isto é o que vai acontecer com a recessão económica a que nos está a conduzir a dita austeridade. Onde foi buscar a ideia que depois das contas estarem todas certinhas é que podemos voltar a ter crescimento económico? A realidade não pára para pudermos fazer uma coisa de cada vez. Porque que é que as nossas grandes empresas ficam melhor nas mãos de estrangeiros? Se a EDP suscita tanto interesse aos estrangeiros e foi construída até agora também com a participação do Estado Português porque diabo há-de ser vendida? Se Portugal está na vanguarda das energias renováveis porque se vai abandonar a mobilidade eléctrica? Se a educação é a alavanca principal do desenvolvimento socioeconómico porque razão se há-de cortar tão drasticamente em vez de se fazer melhor com os mesmos recursos? Se a saúde é um bem em si mesmo porque não se há-de trabalhar para o seu financiamento em vez de o transformar num privilégio para quem tem dinheiro? Se o turismo ainda é das poucas actividades que dinamiza a economia portuguesa que justificação há para lhe dar uma machadada com o IVA a 23% na restauração? (E o Sr. Primeiro-Ministro que antes do ser pediu desculpa ao país, a chorar lágrimas de crocodilo, por ter deixado passar um aumento de impostos na ordem de 1% ao Governo de Sócrates…e o famoso Pec IV era tão mau…enfim!) Se o acesso à justiça é um direito que assiste a todos os cidadãos porque é que ministra faz guerra aos advogados quando o que era preciso combater era a morosidade dos processos e os muitos buracos nas leis que permitem aos grandes corruptos escaparem sempre (penso que a senhora bateu na porta errada…)? E o Sr. Ministro da economia que assinou vários protocolos com empresas estrangeiras para a exploração de ouro no Alentejo porque não arranjou maneira de haver maior participação portuguesa em todo esse processo e não acautelou que a maior parte do ouro ficasse em Portugal? E aquele outro ministro que dá pelo nome de Rei Mago mas que tem mais ar de autómato ou autista e que pelos vistos não tem ideia nenhuma sobre desenvolvimento económico nem deixa que os outros tenham, o que afinal pretende para este país? E o Sr. Secretário de Estado que aceitou não ser ministro da cultura e ser o coveiro da actividade cultural em Portugal… não sabe, como homem da cultura que é, que num mundo globalizado aquilo que nos identifica e nos distingue como povos é precisamente a nossa cultura? E aquela eminência parda, vaiada pelos presidentes de Junta de Freguesia pela total ausência de visão sobre o que é e significa para muitas populações o poder autárquico ao nível das freguesias, que pretende sua excelência? Acabar de vez com o interior, desertificar ainda mais o território? Acentuar ainda mais as assimetrias? Quanto é que vai poupar com isso? Nada há nada pior que gente mesquinha que não vê um boi à frente dos olhos… recomendo a sua eminência que dê um volta pelas povoações que deixaram de ser concelho com a reforma administrativa do século XIX. Passe por Castelo Novo, Sortelha, Idanha-a-Velha, Castelo Rodrigo….Há ainda que referir a satisfação do Sr. Ministro da Administração Interna pelo o aumento do orçamento seu ministério, não vãos as forças de segurança sentirem-se demasiado apertadas pela crise e os agentes policiais passarem-se para o lado das populações quando as convulsões sociais se começarem a agudizar (como se faz nas ditaduras para controlar o povo e garantir o poder). E depois há para lá mais uns ministros que no meio de tudo isto não aquecem nem arrefecem. Não há uma ideia que seja para o país. Talvez não fosse pior estudar um pouco de história de Portugal. Rapidamente haviam de perceber que a segunda dinastia portuguesa percebeu que não havia futuro para os portugueses se ficássemos enredados na complexa teia politica europeia. Por isso Portugal encontrou o seu futuro, no século XV, quando se abriu ao mundo. Não abandonando a construção europeia temos de ser capazes de construir outras uniões mundo fora, onde geralmente somos bem recebidos. Se alguma vez a Europa nos respeitou não foi pelo que fizemos no velho continente mas sim pelo que fizemos nos outros continentes. Este governo não tem uma ideia estratégica que seja para construir o futuro. Ou seja isto não é um governo, é um grande desgoverno que nos conduz a "passos" largos para o abismo.
Paulo Santos