Bem pode o António Mourão cantar "Oh tempo volta para trás", que nada será como dantes. Por isso é preciso avisar a toda a gente, mesmo aqueles que pensam que as suas 'quintinhas' são intocáveis, que eu faço coro com o Eduardo Nascimento naquela canção que ganhou o Festival da Canção de 1.967, intitulada "O vento mudou". Ainda em tons musicais, bem alertou Mário Mata quando cantou…"não há dinheiro para ninguém, não há nada pr'a ninguém, vamos embora Manel", numa projecção antecipada do que aí vem. Vem o intróito deste meu apontamento a propósito da pirâmide das prioridades da nova ordem desportiva que aí vem. Há muita gente que confunde os apoios ao desporto com as subvenções para o futebol profissional. As prioridades do GR quando defende que o futebol profissional está em 1º lugar, não estão, obviamente na linha do meu pensamento. Há que cortar (radicalmente) com os excessos das participações a nível nacional, a começar pelo futebol. Volto a reforçar a minha ideia que mais de duas equipas na alta competição do futebol profissional é demais. A Madeira deveria ter apenas uma equipa na Liga Profissional e uma outra, assim a modos de clube satélite, sob a alçada da AFM, composta basicamente por jogadores madeirenses, e que servia para 'alimentar' o clube-mãe. Os restantes clubes, incluindo o Marítimo, Nacional e União, disputavam um campeonato da Madeira, seja Série Madeira ou com outra denominação qualquer. Grande parte da história dos centenários clubes madeirenses fez-se a competir nesta região, e não é por isso que os seus simpatizantes deixam de ter orgulho do seu passado, onde as dificuldades eram imensas. Têm as suas oficinas, já é bem bom… Por isso defendo cortes no futebol profissional, mas os clubes que trabalham na formação devem ser (mais) apoiados com regras bem definidas, porque é aqui que estão os 'nossos'. Da mesma forma que a alternativa ao futebol profissional, que é o desporto escolar (…desporto para todos…), não pode ser beliscada. Há toda uma grande mobilização de jovens e um evento que é preciso preservar, assim a modos da 'menina dos olhos' do desporto desta região.
Miguel Justino, Repórter