A.C.Magalhães A minha tristeza e muita preocupação em relação ao que se está a passar na nossa região. Terão as pessoas, que nada têm a ver com a política que se tem feito, ou com as más relações políticas entre a Região e Lisboa, que pagar com toda esta situação?! Imensas pessoas ficaram privadas de poder beneficiar da comparticipação dos medicamentos nas farmácias, pessoas idosas, com dificuldades, que nada podem fazer. Já para não falar dos restantes que vivem em más condições e precisam de medicação. Agora vem o problema gravíssimo da falta de pagamento aos funcionários públicos... Isto nem tem comentário possível! Como podemos nós deixar de receber os nossos salários? Temos contas para pagar, temos que nos alimentar, temos rendas de casas mensalmente a serem cobradas, temos medicamentos, despesas, filhos. Não somos nós também cidadãos Portugueses? Não pertencemos à alma Lusitana de guerreiros e destemidos? Nós pagamos impostos, descontamos, como no Continente, o nosso subsídio de Natal para pagar a "Bendita" crise que nos assolou as vidas, e agora, só porque vivemos na Região Autónoma da Madeira, vamos ficar sem ordenados?! Por favor, apelo à consciência e bom senso dos políticos desta Região nas suas negociações com Lisboa, para que este não se torne em mais um problema para o nosso país. Afinal há dinheiro para tanta coisa, tantas obras, investimentos, dinheiro para pagar subsídios de mobilidade a políticos, dinheiro para o desporto, para automóveis e motoristas particulares, e nós que somos professores e viemos para a Madeira trabalhar, ganhamos uns míseros 1100 euros de ordenados que quase nem chegam para pagar aluguer, comida e sobrevivência. Há 8 anos que sou docente e desde essa altura nunca vi este valor ser aumentado. E agora vejo esse dinheiro em risco de não me ser pago?! Nós, que trabalhamos e nos esforçamos para ajudar na educação dos futuros cidadãos da nossa nação, que os ensinámos, que lhes damos bases para toda uma vida, que trabalhamos muitas vezes 12 horas por dia, planeando aulas, construindo materiais de apoio, frequentando reuniões, formações, dando apoio aos nossos alunos... E vemos agora estampada nas notícias a possibilidade de não sermos remunerados?! E os restantes funcionários públicos? Aqueles que trabalham nas escolas, como auxiliares, para que nada falte aos nossos alunos, os funcionários de serviços que trabalham para garantir serviços a toda a comunidade e todos aqueles que todos os dias permitem que tudo funcione normalmente, nas finanças, correios, segurança social, centros de saúde,… Peçam-nos todos os sacrifícios, mas não este, pois pedir este sacrifício a tantas pessoas que dependem deste dinheiro para viver é um enorme escândalo e por certo é anti- inconstitucional perante a União Europeia, que até já elogiou Portugal pelo esforço que tem feito no combate à crise.