Sendo profissional do turismo, deparo-me frequentemente com lamentos públicos e privados acerca da famosa idade média alta dos turistas que visitam a Madeira. Resolvi, por isso, dedicar este capítulo ao assunto. A Europa assiste a um fenómeno de mudança sócio-demográfica que se tem caracterizado pelo envelhecimento geral da população, fruto de vários factores: decréscimo na fertilidade; diminuição da taxa de mortalidade e aumento da esperança média de vida. Se por um lado este fenómeno representa um grande desafio, por outro, representa uma grande oportunidade, especialmente para o destino Madeira. Pois é! Os avós europeus estão mais activos que nunca! Mas vamos a factos… O segmento de viajantes conhecido pelos "empty nesters" (que em português quer dizer ninho vazio) caracteriza os casais maduros sem crianças a viver em casa. As estimativas prognosticam que esta franja represente 21% do total da população em 2050. Segundo o World Travel Monitor, este segmento está em grande crescimento global. Na Europa, entre 2005 e 2010, as viagens de férias feitas por europeus com +55 anos aumentou em 17%. São ainda responsáveis por 27% do mercado europeu de viagens de férias para o estrangeiro. Ainda neste mercado, 60% dos viajantes são provenientes do Reino Unido, da Alemanha, da França e da Holanda. Mercados importantes para a Madeira! Os "empty nesters" têm um comportamento de consumo bastante atractivo! E porquê? Manifestam grande interesse em viajar. Têm dinheiro e disponi-bilidade financeira acima da média. Maioritariamente, já estão libertos de prestações bancárias com a habitação. Optam por tirar períodos mais longos de férias, originando estadas superiores a uma semana. E, fundamental, podem tirar férias fora dos picos sazonais associados às férias escolares, contribuindo desta forma para esbater a sazonalidade de qualquer destino. Salvaguarde-se que a Madeira tem de estar aberta a todas as gerações, criando mais-valias diversificadas e adequadas para receber os seus turistas, mas desdramatize-se o complexo de que a idade média do destino é muito alta. Encaremos de uma vez por todas este facto como uma oportunidade. O desafio está claramente em rejuvenescer constantemente, pois uma coisa é a idade dos turistas que hoje nos visitam, outra coisa é garantir que a idade média não evolui ano após ano. Se por um lado, é importante sermos actuais e inovadores na promoção, por outro lado, é fundamental preservar, actualizando, a qualidade do destino e os atributos turísticos que mais nos têm diferenciado, nomeadamente tranquilidade e natureza.
Fabíola Pereira, Gestora de Marketing