Nós o ser humano vivemos no seio de uma grande quantidade de incon-gruências. Não obstante considerarmos que somos a espécie mais inteligente e avançada à face da Terra, o que é certo é que a nossa raça é a responsável por terríveis episódios de destruição. Ela está na origem da extinção de diversas outras espécies, da devastação de florestas, da poluição do mar e destruição de recifes, coloca em perigo a sobrevivência de inúmeras espécies com que cohabita o planeta e reduziu a meros objectos de consumo algumas espécies animais cuja produção decidiu industrializar. Deixando para outra ocasião as inegáveis atrocidades sobre o património natural, o que muito incomoda nesta nossa convivência com os animais não-humanos, é a clara percepção de que também eles são capazes de experimentar dor e sofrimento! Face a esta evidência há pessoas que se desligam, não querem saber, ou então refugiam-se numa certa noção de fatalidade afirmando "É a lei dos mais fortes, dos mais inteligentes!", como se os animais existissem para servir a espécie humana. Vejo isto como a negação de uma qualidade humana, a da compaixão, aquela experiência que nos torna sensíveis ao sofrimento, esteja ele onde estiver, e nos impele para o erradicar ou atenuar. Felizmente há pessoas que se deixam tocar pela dor de um animal, que não negam nem se envergonham pela expressão da sua humanidade. É verdade que há muito sofrimento, mas a solução não é desesperar nem nos iludir com a resolução imediata de todas as situações, e muito menos passa por fecharmos os olhos e nos tornarmos seres insensíveis. Não! A solução passa certamente pela tomada de consciência e assumirmos a responsabilidade pessoal pelas nossas acções, tentando não contribuir para a proliferação do que nos impressiona e incomoda. Esta premissa aplica-se à maneira como lidamos com os animais, mas também à maneira como lidamos com o nosso semelhante, a natureza e a política. Fruto desta compreensão, há cada vez mais pessoas que julgam que podemos realmente ser considerados seres superiores e pelas razões correctas, e essas votam PAN!
Rui Almeida, Dirigente do PAM-M